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Papéis e papelões

por Cynara Menezes — publicado 22/10/2010 05h30, última modificação 22/10/2010 13h02
A simulação da agressão a José Serra no Rio de Janeiro é só mais um episódio de uma campanha tomada pela baixaria, a hipocrisia e a má-fé
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Na internet, Serra foi comparado ao goleiro Rojas, ator do sangramento falso em 89

A simulação da agressão a José Serra no Rio de Janeiro é só mais um episódio de uma campanha tomada pela baixaria, a hipocrisia e a má-fé

São 7 e meia da manhã da segunda-feira 18 em Salvador. Toca o telefone na casa do estudante H. A. Ele atende. Ouve uma voz de mulher, que diz: “Você é eleitor e vai votar na Dilma?” E desfia rapidamente as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. No dia seguinte, às 10 horas, na cidade-satélite de Taguatinga, no Distrito Federal, o telefone toca na casa da advogada Melissa Carvalho. Voz feminina novamente. “Você vai votar em Dilma? Então saiba que ela era favorável ao aborto e depois mudou de opinião. Não dá para confiar em um candidato assim”, e coisas do gênero. Não adianta a pessoa tentar responder: trata-se de uma gravação.

Telefonemas similares têm ocorrido em todo o País. Os relatos se sucedem no Twitter. Em Minas Gerais, há casos distintos, onde a operadora pergunta se a pessoa que atende o aparelho votou em Marina Silva. Em caso positivo, inicia-se um discurso contra o voto no segundo turno em Dilma Rousseff. Quem paga por essas centrais de telemarketing anti-Dilma? Ninguém sabe. O PT pediu investigação à Polícia Federal sobre o caso, uma das muitas denúncias que têm brotado do jogo sujo praticado contra a candidata de Lula. O próprio presidente veio a público reclamar da campanha difamatória, dizendo nunca ter visto em sua vida eleição com tamanho baixo nível.

“O que se fala da Dilma é uma coisa impensável. Eu que fui candidato, que fui difamado, nunca tive coragem de dizer contra meus adversários 10% do que a hipocrisia de uma parte dos tucanos está dizendo da Dilma”, afirmou Lula. Por mais incrível que possa parecer, as críticas do presidente à campanha de difamação contra Dilma foram utilizadas por comentaristas, no mesmo dia, para justificar o tumulto ocorrido entre militantes petistas e tucanos no Rio de Janeiro, durante uma caminhada do candidato do PSDB José Serra na quarta-feira 20. Como se Lula, ao mencionar as baixezas sofridas por sua candidata, incitasse os militantes à violência, e não a campanha sórdida, em si, é que acirrasse os ânimos.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 619, já nas bancas.

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