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Política

Ricardo Carvalho

São Paulo

20.04.2011 16:34

Os tucanos voam do ninho

Com seis baixas no PSDB, líder do PT na Câmara dos Vereadores, Ítalo Cardoso, acredita que seu partido se fortalece para as eleições de 2012

Na segunda-feira 18, seis vereadores do PSDB em São Paulo anunciaram que deixarão o partido. Sob o argumento de que estariam sendo perseguidos por terem apoiado Gilberto Kassab (ex-DEM) nas eleições municipais de 2008, eles devem se filiar à sigla recém-criada pelo prefeito, o PSD.

O movimento fortaleceu o atual prefeito e também o PT, que conta agora com a maioria na casa (11 vereadores), o que não acontecia desde 2001. O PSDB, antes com 13, ficou com sete representantes e pode ver esse número ser ainda mais reduzido. “O maior afetado com isso é, claramente, o PSDB, que passa a ter uma bancada mediana”, avalia à CartaCapital o líder do PT na Câmara, Ítalo Cardoso. No total, São Paulo tem 55 vereadores.

Os vereadores que deixaram a sigla alegam revanchismo por parte da atual direção do PSDB, liga à ala do governador Geraldo Alckimin. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Gilberto Natalini, um dos dissidentes, afirmou que “a facção que comanda o diretório municipal tem destratado os vereadores desde 2008”. Para ele, o partido não podia ignorar uma bancada com 13 vereadores. Os sete vereadores descontentes com o partido (ainda é incerta a situação do vereador Adolfo Quintas) obtiveram em 2008 quase 230 mil votos.

Para Ítalo Cardoso, a principal dúvida é como a bancada tucana passará a atuar em relação ao prefeito Gilberto Kassab. A disputa de poder entre alckimistas e apoiadores do atual prefeito pode fazer com que, em algumas votações, os vereadores do PSDB se oponham à situação. “Se eles fizerem oposição, mesmo que apenas em algumas questões, o Kassab ficará numa posição delicada, com um grande número de vereadores contra seu projeto”, diz Cardoso.

Eleições de 2012
Os líderes tucanos afirmaram que a saída dos seis vereadores do partido não prejudica a disputa pelo Palácio das Indústrias no próximo ano. Sérgio Guerra (PE), presidente nacional da sigla, classificou o ocorrido de “episódio localizado”. O argumento de Guerra, entretanto, não é unanimidade no partido. Na terça-feira 19, um secretário alckimista disse ao O Estado de S. Paulo que o PSDB corre o risco de “assistir de camarote, de novo, a um segundo turno entre o PT e o candidato do Kassab”. Com o aumento da sua musculatura política, o atual prefeito já admitiu ter nomes para a corrida eleitoral de 2012. Entre eles, o vice-governador Afif Domingues, que recentemente anunciou seu desligamento do DEM para juntar-se ao PSD.

Para os tucanos, José Serra seria o único nome capaz de mediar os interesses dos dois grupos políticos e costurar uma chapa única entre o novo PSD e o PSDB. Eles avaliam que o papel dos vereadores como cabos eleitorais nas eleições municipais não pode ser desprezado.

O líder petista na Câmara dos Vereadores concorda que a perda de vereadores prejudica as pretensões tucanas para as eleições de 2012. “O PSDB perdeu a base do processo eleitoral, justamente os vereadores”. Ele acredita que, mesmo no caso de Serra aceitar concorrer à prefeitura, será difícil construir um projeto único entre as forças ligadas ao prefeito Kassab e ao governador Alckimin.

Quanto aos planos do PT para o próximo ano, Ítalo Cardoso reafirmou que o partido terá candidatura própria. “Nós continuamos como oposição ao prefeito. No cenário municipal, há problemas e divergências muito sérias”.

O racha no PSDB já movimenta setores da principal força de oposição na cidade e no estado, o PT. O presidente do PT de São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, aposta numa definição tardia do nome tucano para concorrer à prefeitura. Seu partido, por outro lado, espera ter um candidato definido até o final deste ano, o que daria mais tempo para a consolidação de alianças e do nome do candidato.

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Sua opinião

  1. Fundador do partido, Walter Feldman também deixa PSDB « CartaCapital disse:
    [...] mais sobre a debandada dos vereadores tucanos aqui [...]
  2. juarez disse:
    um minuto de silêncio na tibuna,esperando cessar o soluço.
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