Com seis baixas no PSDB, líder do PT na Câmara dos Vereadores, Ítalo Cardoso, acredita que seu partido se fortalece para as eleições de 2012
Na segunda-feira 18, seis vereadores do PSDB em São Paulo anunciaram que deixarão o partido. Sob o argumento de que estariam sendo perseguidos por terem apoiado Gilberto Kassab (ex-DEM) nas eleições municipais de 2008, eles devem se filiar à sigla recém-criada pelo prefeito, o PSD.
O movimento fortaleceu o atual prefeito e também o PT, que conta agora com a maioria na casa (11 vereadores), o que não acontecia desde 2001. O PSDB, antes com 13, ficou com sete representantes e pode ver esse número ser ainda mais reduzido. “O maior afetado com isso é, claramente, o PSDB, que passa a ter uma bancada mediana”, avalia à CartaCapital o líder do PT na Câmara, Ítalo Cardoso. No total, São Paulo tem 55 vereadores.
Os vereadores que deixaram a sigla alegam revanchismo por parte da atual direção do PSDB, liga à ala do governador Geraldo Alckimin. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Gilberto Natalini, um dos dissidentes, afirmou que “a facção que comanda o diretório municipal tem destratado os vereadores desde 2008”. Para ele, o partido não podia ignorar uma bancada com 13 vereadores. Os sete vereadores descontentes com o partido (ainda é incerta a situação do vereador Adolfo Quintas) obtiveram em 2008 quase 230 mil votos.
Para Ítalo Cardoso, a principal dúvida é como a bancada tucana passará a atuar em relação ao prefeito Gilberto Kassab. A disputa de poder entre alckimistas e apoiadores do atual prefeito pode fazer com que, em algumas votações, os vereadores do PSDB se oponham à situação. “Se eles fizerem oposição, mesmo que apenas em algumas questões, o Kassab ficará numa posição delicada, com um grande número de vereadores contra seu projeto”, diz Cardoso.
Eleições de 2012
Os líderes tucanos afirmaram que a saída dos seis vereadores do partido não prejudica a disputa pelo Palácio das Indústrias no próximo ano. Sérgio Guerra (PE), presidente nacional da sigla, classificou o ocorrido de “episódio localizado”. O argumento de Guerra, entretanto, não é unanimidade no partido. Na terça-feira 19, um secretário alckimista disse ao O Estado de S. Paulo que o PSDB corre o risco de “assistir de camarote, de novo, a um segundo turno entre o PT e o candidato do Kassab”. Com o aumento da sua musculatura política, o atual prefeito já admitiu ter nomes para a corrida eleitoral de 2012. Entre eles, o vice-governador Afif Domingues, que recentemente anunciou seu desligamento do DEM para juntar-se ao PSD.
Para os tucanos, José Serra seria o único nome capaz de mediar os interesses dos dois grupos políticos e costurar uma chapa única entre o novo PSD e o PSDB. Eles avaliam que o papel dos vereadores como cabos eleitorais nas eleições municipais não pode ser desprezado.
O líder petista na Câmara dos Vereadores concorda que a perda de vereadores prejudica as pretensões tucanas para as eleições de 2012. “O PSDB perdeu a base do processo eleitoral, justamente os vereadores”. Ele acredita que, mesmo no caso de Serra aceitar concorrer à prefeitura, será difícil construir um projeto único entre as forças ligadas ao prefeito Kassab e ao governador Alckimin.
Quanto aos planos do PT para o próximo ano, Ítalo Cardoso reafirmou que o partido terá candidatura própria. “Nós continuamos como oposição ao prefeito. No cenário municipal, há problemas e divergências muito sérias”.
O racha no PSDB já movimenta setores da principal força de oposição na cidade e no estado, o PT. O presidente do PT de São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, aposta numa definição tardia do nome tucano para concorrer à prefeitura. Seu partido, por outro lado, espera ter um candidato definido até o final deste ano, o que daria mais tempo para a consolidação de alianças e do nome do candidato.
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