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Os problemas filosóficos dos políticos gaúchos

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 17/08/2009 14h59, última modificação 08/09/2010 15h00
Todos os problemas do PT no país, e de forma dramática no Rio Grande do Sul, estão na sua transição mal conduzida do mundo da ética para o terreno da política.

Todos os problemas do PT no país, e de forma dramática no Rio Grande do Sul, estão na sua transição mal conduzida do mundo da ética para o terreno da política. Antes da Carta aos Brasileiros, que levou Lula ao poder, o PT era um partido que se conduzia pela ética. “O PT era um partido aristotélico”, conforme me explicou um amigo filósofo. A partir da Carta aos Brasileiros, o PT abandonou a ética e passou a operar no terreno da política. Ou, em outras palavras, no “terreno da realidade”, compreendendo a política como a “a arte do possível”, do “jogo das alianças” e da “luta pelo poder”.

Na Carta aos Brasileiros, o PT trocou Aristóteles por Maquiavel e os princípios éticos pela arte da política e das negociações. Entre outras coisas, o preço disso hoje é o senador Sarney presidente do Senado e o constrangimento do senador Aloísio Mercadante(PT) dando passinhos contidos junto com o senador Arthur Virgílio(PSDB) até o local de uma entrevista, em rede nacional, via Jornal da Globo.

Observando a crise do Rio Grande do Sul, sou obrigado a estender a tese sobre o drama filosófico do PT para a toda política gaúcha. O problema do Rio Grande do Sul parece ser não compreender que o mundo globalizado não é movido por teses, mas pela relação de forças.

Mal comparando, FHC e Bush seriam os malucos defensores dos princípios neoliberais. Lula e Obama seriam “os caras comuns”, os “políticos espertos” dedicados a resolver os problemas concretos do mundo e de todos nós. Neste contexto, o PSDB de Yeda e o PT de Olívio Dutra seriam partidos fora da ordem e do tempo.

E são. PT e PSDB no Rio Grande do Sul são partidos ideológicos, assim como o PMDB do senador Simon. Batem de frente em tudo, antes mesmo de se enxergarem. Por exemplo, não se pode negar à governadora o fato dela acreditar na necessidade da reforma do Estado, traduzida na política do déficit zero. Da mesma forma, é preciso reconhecer que o PT gaúcho nunca compactuou com o “mensalão”; a pior crise que o PT viveu até hoje no país seria conseqüência das “más companhias”, conforme sacramentou o líder maior do PT gaúcho, Olívio Dutra. Ou seja, PT e PSDB no Rio Grande do Sul, hoje, ainda são partidos aristotélicos. São grupos auto-convencidos de suas próprias convicções, com o perdão da redundância.

Obrigados a viver num mundo maquivélico, os gaúchos, neste final de século XX e princípios do século XXI, parecem estar se tornando vítimas da própria ficção que construíram, de ser um Estado diferente do resto do Brasil. Ao mesmo tempo, não extraem lições da própria história. Getúlio Vargas foi maquiavélico. Nunca esteve próximo de Aristóteles. Os militares gaúchos, então, que se sucederam no poder de 64 em diante, idem.

Olhando por este ângulo, o pior problema dos gaúchos não seria o mar de lama e corrupção que corroeu seus partidos e o seu Estado: a ideologia e não a política é o que levou o Rio Grande do Sul a sua pior fase. Hoje, os gaúchos não sabem para qual lado se voltar. E o resultado desse conflito pode dar qualquer coisa. Como disse um amigo, “louco por louco, sou mais eu”, e fiquei achando que seria um excelente slogan para 2010.