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Protesto

Os nós da habitação em São Paulo

por Piero Locatelli — publicado 17/04/2013 16h55, última modificação 17/04/2013 19h39
Movimentos sem-teto cobram detalhes de como serão construídas 55 mil moradias em São Paulo
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Haddad discursa em carro de som na frente da prefeitura. Foto: Agência Brasil

Antes de ganhar a eleição para a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT) se comprometeu a construir 55 mil moradias na cidade. Nesta quarta-feira 17, diversos movimentos sem-teto foram à frente da prefeitura pressionar o poder público para discutir como isso será feito. Apesar de dizer que não fazem oposição ao petista, os movimentos reclamam que o prefeito ainda não apresentou uma proposta concreta para à área. “Só falar em construir 55 mil unidades é fácil. A gente quer saber onde, de que forma isso será feito. E se vai ter participação popular e diálogo conosco,” diz Donizete Fernandes, um dos líderes da União dos Movimentos de Moradia Popular (UMM/SP). Segundo os organizadores do protesto, havia sete mil pessoas no local. A estimativa da polícia militar foi de duas mil pessoas.

Diante do protesto, Haddad desceu de seu gabinete e subiu no carro de som dos movimentos para discursar, sendo aplaudido pelos manifestantes. Depois, recebeu líderes do movimento na prefeitura. O secretário de habitação, José Floriano, estava junto ao prefeito. Indicado pelo Partido Progressista, de Paulo Maluf, Floriano tem sido alvo de críticas dos movimentos sociais desde antes da sua posse.

 

Os movimentos pedem que a prefeitura destine mais moradias para pessoas de baixa renda, inclusive na região central da cidade. O prefeito anunciou, no mês passado, ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), 20 mil moradias no centro de São Paulo. Destas, 12,5 mil serão destinadas a pessoas com renda de até 3.775 reais mensais.

Haddad defendeu a distribuição proporcional de moradias. “Não posso trazer para o centro população só de uma classe social. Se o centro for só de rico, ou só de pobre, isso é ruim para a cidade. O centro de São Paulo tem que ser representativo de todas as classe sociais,” disse o prefeito em entrevista antes da reunião com os movimentos.

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A União dos Movimentos de Moradia Popular (UMMP), uma das organizadoras do evento, pede que ao menos 25 mil das moradias na cidade sejam feitas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida – Entidades”. Com esta modalidade, os movimentos participam ativamente da elaboração e escolhas de como serão construídas as casas, em vez das empreiteiras tomarem as decisões. “O governo federal está fazendo bem, mas o governo municipal fica com esta onda de PPP (Parceria Público Privada). Ele tem que parar com isso,” diz Donizete Fernandes, da UMM.

José Floriano, o secretário de habitação, se mostrou simpático à proposta dos movimentos, mas não estabeleceu uma meta . “Pode ser que não se atinja essa quantidade, mas, no que puder, as entidades serão privilegiadas.”

Haddad: movimentos terão diálogo, mas não preferencia nas vagas

A UMMP pede que os trabalhadores ligados aos movimentos tenham preferência na distribuição das moradias. A entidade defende que os trabalhadores que já estão em ocupações ou militam tenham prioridade na distribuição de vagas.

Haddad defendeu a participação dos movimentos na elaboração das políticas, mas diz que não deve haver preferência na alocação de vagas. O prefeito pediu “solidariedade” com os outros necessitados da cidade. “Eu não posso atender só o movimento organizado. Eu tenho que atender as pessoas desorganizadas, que também tem o direito constitucional à moradia. Eu tenho que atender uma família que está numa situação de risco, mesmo que não esteja num movimento,” disse o prefeito.  O protesto em frente à prefeitura deixou claro que os movimentos, apesar do apoio a Haddad, ainda não estão com o discurso totalmente afinado com o da prefeitura.

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