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Os filhos de Erenice

por Leandro Fortes e Sergio Lirio — publicado 17/09/2010 01h07, última modificação 17/09/2010 16h10
A ministra da Casa Civil não resiste à série de denúncias de lobby e tráfico de influência contra seus familiares e é obrigada a pedir demissão

A ministra da Casa Civil não resiste à série de denúncias de lobby e tráfico de influência contra seus familiares e é obrigada a pedir demissão

A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, resistiu por cinco dias às denúncias. Na quinta-feira 16, uma reportagem da Folha de S.Paulo a envolver seu filho Israel em mais um enredo de tráfico de influência representou o tiro de misericórdia. Após uma reunião no Palácio do Planalto, a ministra redigiu uma  nota, lida pelo porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, na  qual anuncia sua saída do governo, se declara vítima de uma “campanha de  desqualificação” e reclama de “toda sorte de afirmações, ilações e mentiras”.

Ainda que a ministra demissionária, o governo, o PT e a campanha de Dilma Rousseff ressaltem o caráter eleitoral da avidez da mídia na cobertura do caso e rejeitem a tentativa de ligar as denúncias à candidatura petista à Presidência, a situação de Erenice Guerra ficou insustentável ante a profusão de indícios de que Israel e seu irmão Saulo conduziam sem pudor atividades de lobby e tráfico de influência – e usavam com desenvoltura o nome da mãe para tentar auferir lucros.

Na reportagem da Folha que provocou a demissão da ministra, o consultor Rubinei Quícoli acusa Israel de cobrar propina para intermediar um empréstimo com o BNDES. Quícoli tem uma longa ficha corrida: foi condenado na Justiça por receptação e coação. A EDRB, empresa que ele diz representar e que tem projetos na área de energia, soltou uma nota oficial na qual afirma que o consultor é mais um de seus vários representantes. Mesmo assim, suas declarações ao jornal e os documentos apresentados indicam que os jovens Guerra realmente ofereceram facilidades e fizeram questão de alardear sua suposta influência no governo. Foi graças à Capital, empresa da dupla, que o consultor se reuniu com Erenice Guerra em 10 de novembro do ano passado.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 614, já nas bancas.

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