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Opinião

Os desafios para Dilma garantir a governabilidade

por Luis Nassif publicado 09/03/2015 12h51, última modificação 24/06/2015 16h43
Adotem-se algumas medidas para enfrentar questões mais urgentes, mas é central planejar o pós-epicentro. Os mais competentes conseguem

Está-se no epicentro de uma crise política – que ainda não é econômica nem social. Portanto, ainda não é irreversível.

A vantagem da idade, no jornalismo, é a experiência de quem assistiu, na história do país, crises mais profundas que a atual.

A primeira recomendação é a de relaxar e analisar. Não se tome a nuvem por Juno, o epicentro pela crise. Adotem-se algumas medidas para enfrentar questões mais urgentes, mas o desafio é planejar o pós-epicentro.

Os mais competentes conseguem.

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A segunda recomendação é levantar todos os pontos de vulnerabilidade e a forma de atuar sobre eles.

No caso de Dilma, seus problemas se resumem aos seguintes pontos:

1. Rearticular a base de apoio político.

Encontrar um bom articulador que conserte o estrago monumental provocado na base de apoio político, com a tentativa de eleger o presidente da Câmara. Não será tarefa fácil, ainda mais com o terremoto provocado pela Lava Jato no Congresso. Mas não é impossível. Teria que reorganizar o conselho político, eliminar os fatores de desgaste com os congressistas, parar com essa bobagem de pacto político com o PSDB.

2. Rearticular a base de apoio social.

Encontrar um bom articulador com os movimentos sociais para consertar o monumental estrago provocado com o pacote fiscal. É evidente que as contas fiscais precisavam ser colocadas em ordem. Mas o pacote fiscal, lançado a seco logo após as eleições, penalizou programas sociais, a indústria e a atividade produtiva em geral, o emprego – ao mesmo tempo em que a alta da Selic beneficiava o mercado financeiro. Tudo isso enfiado goela abaixo do seu eleitorado. Sem anestesia.

3. Rearticular a base de apoio jurídico.

Encontrar um bom articulador com o meio jurídico, para consertar os estragos provocados no relacionamento com ministros e desembargadores pela desatenção com a liturgia do cargo.

Alguns exemplos recentes (para quem conhece hábitos e costumes do Judiciário): Dilma recebe pessoalmente a Ministra Carmen Lúcia, mas o presidente do STF Ricardo Lewandowski só é recebido por seus Ministros; na discussão dos vetos ao Código de Processo Civil, em vez de ouvir Lewandowski, o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo reportou-se a Luiz Fux.

Há uma linha de ministros e desembargadores teoricamente simpáticos às propostas do governo. Não pergunte sua opinião sobre o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o Ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante. A resposta não será animadora.

4. Rearticular a base de apoio industrial.

Encontrar um articular para recompor a aliança com a indústria e os sindicatos, especialmente com a indústria paulista.

No primeiro mandato, Dilma aprovou uma série de medidas de apoio à indústria. Nem assim logrou apoio dos industriais devido ao seu estilo de pouco ouvir. Agora todas as benesses estão sendo retiradas, a grita será maior ainda.

Há condições de explicitar uma estratégia clara de política industrial, ainda mais com o câmbio mais competitivo. Mas estão a caminho ondas de desemprego.

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Se conseguir encontrar todos esses articuladores e ouvi-los, Dilma conseguirá enxergar a luz no centro do tornado.