Você está aqui: Página Inicial / Política / Oposição pede investigação contra Palocci, mas caciques tucanos o preservam

Política

Enriquecimento suspeito

Oposição pede investigação contra Palocci, mas caciques tucanos o preservam

por Redação Carta Capital — publicado 17/05/2011 19h21, última modificação 17/05/2011 19h22
O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, pediu investigação sobre a consultoria. Mas o senador Aécio Neves e o ex-governador José Serra saem em defesa do chefe da Casa Civil

Após a Comissão de Ética da Presidência anunciar que não pretende apurar o enriquecimento do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, a oposição protocolou um pedido formal de investigação junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no Ministério da Fazenda. Uma comissão de parlamentares do PSDB pediu ao órgão de fiscalização que informe as movimentações bancárias superiores a 100 mil reais feitas por Palocci ou pelas empresas das quais ele é sócio.

“O Coaf pode até alegar que essas informações estão protegidas por sigilo, mas pode também informar, ao menos, se houve investigação”, afirmou líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira. Apesar do requerimento, outras lideranças tucanas de peso preferiram se afastar do front de guerra. Foi o caso do senador Aécio Neves (MG), que adotou um tom mais brando e afirmou não existir interesse em "desestabilizar o governo".

Na noite anterior, o ex-governador de São Paulo e candidato derrotado nas eleições presidenciais pelo PSDB, José Serra, havia dito que não era o caso de a oposição “crucificar” Palocci. “Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial”, afirmou Serra, após se reunir com o presidente do PT, Rui Falcão, na capital paulista, para discutir reforma política.

Diante dos pedidos de investigação apresentados pela oposição, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que vai esperar receber mais informações ou indícios de irregularidades antes de cobrar explicações do ministro. Caso considere necessário, Gurgel pode pedir a abertura de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que Palocci tem foro privilegiado, ou solicitar o arquivamento do caso.

Questionada sobre as suspeitas envolvendo o enriquecimento de Palocci, a presidenta Dilma Rousseff minimizou o caso: “Isso é guerra política, mas não tem como prosperar.”

E-mail com justificativas
Thomas Traumann, assessor especial da Casa Civil, encaminhou na tarde desta terça-feira um e-mail a um grupo de senadores para explicar a evolução do patrimônio de Palocci nos últimos quatro anos. De acordo com ele, a “experiência única” de ocupar cargos públicos dá valor aos profissionais de consultoria. Além disso, ex-integrantes de governos costumam ocupar lugar de destaque na iniciativa privada após deixar a gestão pública. "Não por outra razão, muitos outros se tornaram em poucos anos banqueiros, como os ex-presidentes do Banco Central e BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras como o ex-ministro Pedro Malan ou consultores de prestígio como o ex-ministro Maílson da Nóbrega."

O texto ressalta, ainda, que não há restrições legais que impeçam parlamentares de exercer atividade empresarial. “Levantamento recente mostrou que 273 deputados federais e senadores da atual legislatura são sócios de estabelecimentos comercial, industrial, de prestação de serviços ou de atividade rural”, destaca a nota. “Todas as informações relacionadas à evolução patrimonial do ministro Antonio Palocci constam de sua declaração de renda de pessoa física. E todas as informações fiscais e contábeis da empresa Projeto são regularmente enviadas à Receita Federal, de acordo com as normas vigentes.”

Entenda o caso
De acordo com reportagem publicada no domingo 15 pela Folha de S. Paulo, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, multiplicou por 20 o seu patrimônio pessoal em quatro anos. Palocci teria comprado um apartamento de luxo na capital paulista em novembro de 2010 por 6,6 milhões de reais. No ano anterior, o ministro já havia adquirido um escritório em São Paulo por 882 mil reais. O valor dessas aquisições, quase 7,5 milhões de reais, é 20 vezes maior que o patrimônio declarado pelo petista nas eleições de 2006.

A evolução do patrimônio do ministro aconteceu durante o período em que ele esteve na Câmara dos Deputados. Em 2006, época em que Palocci se elegeu deputado federal, seu patrimônio declarado era de 375 mil reais. Este valor correspondia a uma casa em Ribeirão Preto, um terreno e três carros. Nos quatro anos em que exerceu mandato de deputado, Palocci recebeu 974 mil reais brutos em salário. A quantia seria insuficiente para pagar os imóveis adquiridos.

Palocci afirmou à reportagem da Folha que os dois imóveis estão registrados em nome da empresa Projeto Administração de Imóveis, da qual ele é dono. O ministro disse ainda que os bens foram comprados com recursos que a companhia recebeu no período em que atuou como uma consultoria. Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, ele informou ter declarado os bens adquiridos à Comissão de Ética Pública da Presidência.

registrado em: ,