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Cocaína da Europa sai do Brasil

por Redação Carta Capital — publicado 23/06/2011 15h18, última modificação 24/06/2011 10h58
De acordo com um relatório da ONU, o País é a principal rota de transporte da coca produzida nos Andes

Se os países da América Central compõe a rota das drogas para os Estados Unidos, o Brasil é a principal passagem para a Europa. Relatório da agência da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), divulgado nesta quinta-feira 23, indica que o país foi o preferido por traficantes para transportar a cocaína produzida na região dos Andes para a Europa.

Em 2009, 260 carregamentos de cocaína (ou 1,5t) provenientes do Brasil foram apreendidos na Europa, um salto em relação aos 25 carregamentos (339kg) apreendidos em 2005. O país foi citado pela Organização Mundial das Aduanas como um dos mais importantes centros de distribuição mundial da droga, ao lado da Venezuela, Equador e Argentina. O Brasil foi o único país sul-americano de onde partiram carregamentos de cocaína interceptados na África em 2009 e que registrou maior apreensão de crack nas Américas. Em 2009, foram interceptados 374kg da droga, número bastante superior aos do Panamá (194kg), Estados Unidos (163kg) e Venezuela (80kg).

O relatório indicou que a América do Norte, em particular os Estados Unidos, continua a ser o maior mercado de drogas do mundo. O documento mostra que as apreensões de cocaína na América do Norte diminuíram 43% entre 2005 e 2009, mas, no mesmo período, houve aumento das apreensões de anfetaminas (87%), ecstasy (32%), maconha (71%) e heroína (19%).

A taxa de prevalência de consumo de maconha na população entre 15 e 64 anos chega a 10,7% – bem acima da média mundial (7%). A região abriga cerca de um quinto de todos os usuários da droga no mundo.

Entretanto, segundo o Unodc, a droga de maior importância relativa na América do Norte é a cocaína, uma vez que 37% dos usuários em todo o mundo vivem na região. A taxa de prevalência da droga entre a população de 15 a 64 anos é de 1,9%, enquanto a média global é de 0,4%.

Outro problema avaliado pelo relatório como significativo trata do uso sem prescrição de medicamentos, principalmente analgésicos (4,9%) e tranquilizantes (2,2%). A taxa anual de prevalência entre a população com 12 anos ou mais é de 6,4% e perde apenas para a maconha.

Entre os novos usuários de drogas nos Estados Unidos, cerca de 2,2 milhões começaram o consumo por meio de analgésicos. Em 2006, a estimativa é que 38,4 mil pessoas tenham morrido no país em decorrência do uso de drogas, com uma taxa de mortalidade de 182 óbitos para cada milhão de habitantes entre 15 e 64 anos.

Drogas prescritas

O relatório aponta  uma tendência de aumento no uso não-medicinal de drogas prescritas. No Brasil e Chile, foi registrado alto consumo de opioides prescritos e, junto com a Argentina, altos indíces de uso de ATS (estimulantes sintéticos do grupo das anfetaminas), geralmente indicados para tratamento de transtorno de deficit de atenção e anorexia.

*Com informações da Agência Brasil

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