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Resposta CartaCapital

ONG Sou da Paz contesta abordagem de CartaCapital em matéria

por Redação Carta Capital — publicado 09/02/2012 11h32, última modificação 09/02/2012 11h32
Instituto afirmou que reportagem não abordou todos os pontos de levantamento sobre armas; jornalista responde

A ONG Sou da Paz contestou a abordagem da matéria , publicada no portal da revista em 6 de fevereiro de 2012. Abaixo segue a carta enviada à redação da revista CartaCapital pelo instituto e a resposta do repórter aos questionamentos apresentados:

O Instituto Sou da Paz esclarece que a matéria publicada no site da revista Carta Capital nesta segunda-feira (6) distorce a realidade dos fatos assim como distorce a entrevista concedida pela coordenadora da área de Controle de Armas, Alice Ribeiro, sobre os resultados de uma Consulta Participativa realizada em 2011.

 Na entrevista concedida nesta segunda (6) ao repórter Gabriel Bonis, a coordenadora do Sou da Paz falou sobre a Consulta Participativa, ação que fez parte do Plano de Controle de Armas da Cidade de São Paulo, coordenado pelo Instituto, cujo propósito era medir o nível do conhecimento dos moradores da região de M’Boi Mirim, especialmente dos adolescentes e jovens, em relação à Campanha Nacional do Desarmamento. Alice Ribeiro esclareceu também que a Consulta Participativa, de caráter experimental, não poderia ser tratada como pesquisa e que, portanto, seus resultados não poderiam ser considerados representativos ao ponto de traduzir a percepção de toda população de M’Boi Mirim sobre a Campanha Nacional do Desarmamento.

Entre os resultados do questionário aplicado a 300 moradores em M’Boi Mirim, foi possível identificar que grande parte das pessoas consultadas desconhecia questões relacionadas à campanha nacional de entrega voluntária de armas como, por exemplo, que a pessoa que entregar uma arma não precisa se identificar, não pode ser presa ao entrega uma arma, e tem direito a uma indenização.

Ao questionar a coordenadora do Sou da Paz sobre o ponto do questionário que tratava da relação de segurança no bairro e dos relacionamentos entre as pessoas, o repórter Gabriel Bonis insistiu em afirmar em sua pergunta que a população em geral não têm confiança no trabalho da polícia. A coordenadora do Sou da Paz foi incisiva em responder que o Sou da Paz não corroborava com a afirmação do repórter visto que a Consulta Participativa não teve como propósito avaliar o trabalho da polícia com os entrevistados e que, portanto, o Sou da Paz não possuía informações suficientes para se aprofundar sobre aquela percepção. A insistência do repórter, ratificada na matéria publicada na Carta Capital com o título Moradores não confiam na polícia, evidencia a intenção de manipular uma informação descontextualizada e sem o devido cuidado de apuração.

Outra informação enviesada foi identificada no texto do repórter no trecho: Os entrevistados apontaram que não abrem mão de suas armas para se protegerem. As pessoas entrevistadas na Consulta Participativa não declararam possuir armas, portanto não sabemos de onde o repórter extraiu esta informação que sugere que os entrevistados da Consulta Participativa tinham uma arma de fogo.

Dado o grau de complexidade e importância que a segurança pública tem em nosso cotidiano é fundamental que a população brasileira seja bem informada sobre as questões relacionadas à segurança pública para que tenhamos um debate público qualificado e possamos evitar a perpetuação de preconceitos. Por isso, o Instituto Sou da Paz contesta as afirmações publicadas no site da Carta Capital associando os resultados da Consulta Participativa de M’Boi Mirim à confiabilidade da população em relação ao trabalho da polícia e pede a correção da nota a fim de evitar que tal afirmação inverídica seja replicada na internet.

Resposta do jornalista Gabriel Bonis

O Instituto Sou da Paz comunicou CartaCapital que a reportagem Moradores não confiam na polícia, diz pesquisa, publicada no site da revista, distorcia a realidade dos fatos e da entrevista concedida pela coordenadora da área de Controle de Armas, Alice Ribeiro, sobre os resultados de uma Consulta Participativa realizada em 2011.

Segundo a nota, a reportagem não teria considerado a afirmação de Ribeiro de que a pesquisa não foi realizada em caráter formal e sem todo o rigor de uma pesquisa como, por exemplo, do Ibope (para utilizar os termos da entrevistada durante a conversa com a reportagem). Pode-se perceber que o instituto não leu ou não se importou em compreender a reportagem:

“Segundo a coordenadora da área de controle de armas do Sou da Paz, Alice Ribeiro, a pesquisa não tem o rigor de uma consulta de opinião formal e não pode ser considerada representativa.” (Parágrafo 5)

O instituto acusa a revista de não informar que as pessoas consultadas desconheciam questões relacionadas à campanha nacional de entrega voluntária de armas. Mas a reportagem abre espaço para uma declaração de Ribeiro na qual a coordenadora explica que se as armas fossem destruídas na frente das pessoas que as entregam, a efetividade da campanha seria maior:

“Esse resultado é um indicativo do não cumprimento ou não divulgação de um ponto da lei que pede para a arma ser danificada no momento da entrega na frente da pessoa”, diz. “Saber que a arma foi inutilizada aumenta muito a credibilidade da campanha.” (Penúltimo parágrafo)

O instituto afirma que a reportagem tentou direcionar o enfoque de uma pergunta à coordenadora do Sou da Paz para induzi-la a responder que a “população em geral não tem confiança” na polícia. O repórter questionou a coordenadora sobre uma tabela do próprio levantamento, situada na página 9 do documento que pode ser baixado pelo link http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/Consulta%20Participativa%20na%20Regi%C3%A3o%20do%20M%E2%80%99Boi%20Mirim.pdf . Como é possível verificar, o item mostra que apenas 5% dos moradores consultados concordam plenamente com a afirmação “Os moradores do bairro confiam na polícia e se sentem seguros junto com policiais”.

A interpretação óbvia para o item é que a maioria dos entrevistados não confia na polícia. Portanto, desmente-se a tese do instituto de que o repórter afirmou que os moradores não confiam na polícia. Não seria necessário tal direcionamento, uma vez que o próprio levantamento informa essa conclusão.

O instituto ainda diz que a reportagem é “enviesada ao dizer que os entrevistados apontaram que não abrem mão de suas armas para se protegerem” e que os entrevistados não possuem armas. Na página 23, há um gráfico com os motivos pelos quais as armas não devolvidas. O item Achar que ter uma arma é melhor forma de defender/proteger é a opção mais citada. A reportagem ressalta que não afirmou em momento algum que os entrevistados possuíam armas.

Se houve essa impressão, ela está relacionada às perguntas do relatório, como o item da página 23: “Não confio na polícia e nunca entregaria uma arma para eles”, na qual a sentença “Não confio” aparece na primeira pessoa do singular. Logo, é o relatório que pressupõe que os respondentes possuem uma arma, e não a reportagem.

O site de CartaCapital lamenta a opção da entidade em tentar atingir o repórter, que fez seu trabalho (ler, interpretar, perguntar, reproduzir) por meio de um comunicado descuidado, sem ao menos tentar expor suas argumentações – inclusive durante a entrevista. Esse posicionamento evidencia que os argumentos apresentados pelo instituto não valeriam o registro feito pelo site da revista.

Os editores da publicação viram no relatório informações relevantes, tanto que tiveram repercussão imediata. Se fosse para dizer que a pesquisa não era representativa, é de se questionar a utilidade de uma pesquisa divulgada para a imprensa por meio de releases.

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