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Política

Eleições 2010

Onde estás, Ciro Gomes?

por Celso Marcondes — publicado 17/02/2009 16h50, última modificação 23/08/2010 16h52
As eleições presidenciais do ano que vem estão todos os dias na mídia. Sempre polarizando Serra contra Dilma

As eleições presidenciais do ano que vem estão todos os dias na mídia. Sempre polarizando Serra contra Dilma, Acusações de uso da máquina com antecipados fins eleitorais pululam. Enquanto Serra estaria usando e abusando de comerciais da Sabesp (aquela empresa de saneamento que só atua em SP) espalhados pelas tevês de todo Brasil, Lula teria promovido o encontro com 4 mil prefeitos só para promover sua pupila. Fora o “circuito PAC” que percorre o País. Toda semana tem novidade na briga e colunista de jornal especulando, quase sempre reduzindo a disputa àqueles dois litigantes. Parece até que o mundo vai parar por aí.

Quem não tem gostado nada disso é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Nas páginas da Istoé e dos jornais dominicais ele avisa que está vivo, exigindo que o candidato tucano seja definido em prévias que FHC e Cia. querem esquecer. Os serristas, espertos, forçam a polarização com Dilma. Neste ritmo, logo, logo as pesquisas de opinião sobre o tema vão se reduzir às duas opções.

Entre os nomes que sumiram das listas de apostas está o de um ex-candidato a presidente, ex-ministro, atual deputado federal, entre outros títulos: Ciro Gomes. Ele simplesmente desapareceu da mídia.

Sabe-se que um dos motivos do sumiço é o seu incomodo com o parlamento. Ciro não gosta nem um pouco daquele ritual. Razão pela qual quase nunca frequenta o noticiário do Congresso. Pode ser momento de eleição de presidência das Casas, pode ser discussão de CPI, pode ser debate em torno de castelo de 25 milhões ou das reformas que não acontecem. Depois daquela polêmica em torno da transposição do São Francisco (lembram-se? Ele contra Letícia Sabatella?), há exato um ano, ele sumiu. Nos últimos meses era mais visto no Rio de Janeiro, acompanhando o estrondoso sucesso de Flora, quer dizer, Patrícia Pilar, sua esposa, na novela da Globo recém encerrada. Outros problemas familiares também são lembrados como explicações.

Porém, submersão tem limites. Depois das vitórias de Temer e Sarney, na Câmara e no Senado, até para as possíveis candidaturas às vice-presidências o deputado cearense deixou de ser cotado. As especulações se fecharam em torno de nomes do PMDB. Verdade que pouca gente admite que o partido vá marchar unido nas presidenciais de 2010 (Jarbas Vasconcelos que o diga). Mas é verdade também que nomes como o de Geddel Vieira e Michel Temer passaram a fazer parte da dobradinha dos sonhos dos apoiadores de Dilma. Até Sergio Cabral é lembrado, embora candidato nenhum, tucano ou petista, pense que seria boa estratégia ter chapa fechada sem representante do Nordeste.

E pro Ciro, nada? Ao que parece, nada. Grande e fidelíssimo apoiador do governo Lula, submergiu faz tempo. Ele não bota a cara pra bater em nenhum debate nacional e ninguém no governo parece lembrar dele. Está fora das listas de convidados para os atos públicos, inaugurações, jantares, batizados e casamentos. E de todas as especulações para 2010. Sabe-se que foi grande incentivador do acordo com Aécio nas eleições municipais de Belo Horizonte, que elegeu Marcio Lacerda, do seu PSB. Porém, nem como vice de Aécio, numa muito improvável candidatura deste pelo PMDB, se fala.

"Serei candidato se entender que é uma candidatura que servirá ao país. [....] Se for o meu destino, será uma honra", assim ele falou numa sabatina promovida pela Folha de S.Paulo, num longínquo abril de 2008. De lá para cá, o que parece é que ninguém colocou o tal do destino para o deputado.

Há quem ache isso uma pena. Porém, pequena nota hoje na “Folha” dá conta que o PSB teria acordado do berço esplêndido e começaria a marcar palestras para Ciro. Acho que vai fazer bem para o País. Polarização precipitada faz mal à saúde.

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