Você está aqui: Página Inicial / Política / Oded Grajew rebate Kassab e reafirma descumprimento das metas de campanha

Política

Resposta

Oded Grajew rebate Kassab e reafirma descumprimento das metas de campanha

por Gabriel Bonis publicado 14/07/2011 19h30, última modificação 06/06/2015 18h16
Em entrevista a CartaCapital, prefeito de São Paulo afirmou que levantamento da instituição apontando o cumprimento de apenas 24 das 223 metas estabelecidas por sua gestão era “leviano”

A organização social Rede Nossa São Paulo apontou, em um levantamento de abril de 2011, que o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, havia cumprido até então apenas 24 das 223 metas estabelecidas por sua gestão no Programa de Metas. Em entrevista a CartaCapital, na edição de 13 de julho, o prefeito afirmou que a posição da entidade era “ridícula” e “leviana”. “Ainda temos 18 meses de gestão pela frente”, disse.

Veja também:

Em conversa com a CartaCapital, na tarde de quinta-feira 14, o idealizador do Fórum Mundial Social, presidente do Instituto Ethos e um dos participantes da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew, rebateu as declarações de Kassab. “Nós realizamos um levantamento no próprio site da prefeitura, que tem essas informações. Apenas reorganizamos os dados para tornar a compreensão mais fácil”.

A gestão de Kassab foi a primeira a contar com um plano de metas estipulado por lei, mas no país, segundo a Rede Nossa Cidade, outros 24 municípios possuem medidas semelhantes. Conforme a legislação paulistana, o candidato vencedor das eleições deve estipular metas específicas para cada distrito de São Paulo, incluindo as propostas de campanha.

No entanto, Kassab declarou a CartaCapital que as metas não são um compromisso. “Sempre cito o exemplo da casa. Você planeja reformar a casa, mas então o carro fica com problemas, o filho tem problemas e você precisa reformar as metas. Na vida pública também às vezes acontece”.

Entre as propostas ainda não cumpridas estão a construção de 66 quilômetros de corredores de ônibus, 107 quilômetros de ciclovias e a expansão das vagas em creches. “Quando as metas foram apresentadas havia como realizá-las, agora não há mais tempo para todas”, afirma Grajew. “Ele [Kassab] até contratou a FGV para auxiliá-lo a acelerar o cumprimento do que estipulou, porque sabe que esta é uma forma da opinião pública avaliar a gestão”.

Qualidade dos serviços

Desde 2006, vigora em São Paulo a Lei nº 14.173, promulgada por Kassab, que estabelece indicadores de desempenho relativos à qualidade dos serviços públicos na cidade, como saúde, educação e transporte público.

A lei determina, entre outros fatores, a contabilização do tempo médio para se conseguir uma consulta na rede de saúde e para a realização de procedimentos de alta complexidade. Outros pontos a terem os índices medidos são: nível de alfabetização por faixa etária, população atendida por coleta seletiva de lixo e o tempo médio de espera nos terminais de ônibus – um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM), elaborado com base em auditorias em todos os setores da prefeitura, aponta que 60% das linhas de ônibus descumprem horários de partida.

“Creio que a prefeitura tenha esses dados em mãos, mas porque não os publica? Talvez porque não sejam tão bons”, questiona Grajew. Segundo o presidente do instituto Ethos, a pesquisa anual da Rede Nossa São Paulo para medir a percepção da população sobre a cidade aponta que a espera por uma consulta médica na rede pública pode levar meses.

Isso apesar do investimento em saúde em 2010 ter somado 19,2% das receitas da prefeitura, acima dos 15% estipulados por lei, de acordo com o relatório do TCU. Os aportes em educação também foram maiores que o exigido, mas o órgão conclui que não houve melhoria nos serviços públicos por má gestão.

registrado em: