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O sucesso do governo inibe a oposição

por Mauricio Dias publicado 26/07/2010 12h44, última modificação 28/07/2010 16h54
Como é difícil, talvez impossível, enfrentar a candidata do vencedor Lula...

Como é difícil, talvez impossível, enfrentar a candidata do vencedor Lula...

A tormenta que recai sobre a candidatura presidencial de José Serra não é resultado da escolha do senador paranaense Álvaro Dias para ocupar a vaga de vice numa chapa puro-sangue improvisada. O buraco é bem mais embaixo.
Essa escolha rendeu muita fofoca política. Foi desdobramento tardio da recusa do ex-governador mineiro Aécio Neves de servir como escada eleitoral para o tucano paulista. Isso, por si só, é uma evidência de que o problema que surgiu agora não é simples nuvem passageira na campanha eleitoral que se inicia.
Permanente é o problema da inexistência de um discurso político capaz de fazer frente ao sucesso de um governo que alcança níveis históricos de aprovação popular. Isso persiste mesmo após a cabeça de Álvaro Dias ter rolado.
O fato é esse: o governo Lula inibiu o discurso conservador da oposição que chegou a ser ensaiado, por exemplo, com a condenação do Bolsa Família que já beneficia quase 12 milhões e 500 mil famílias em todo o Brasil (Tabela). Esse programa é a grande marca do começo da inflexão social da administração petista.

Recuaram rápido desse caminho. Tentaram, também, o terrorismo político contra a candidata Dilma Rousseff. Tiro n’água. Agora disseminam que Dilma, ao contrário de Lula, não conseguirá conter um suposto radicalismo do PT.
Serra, ex-militante de esquerda, exilado por um período no Chile durante a ditadura no Brasil, tem sido um inibido porta-voz desse discurso que, certamente, também não se encaixaria no figurino político de Aécio Neves.
Como oposicionista, até agora pelo menos, o tucano tem preferido navegar em águas internacionais. Ele sinalizou fortemente para o poderoso núcleo conservador que o apoia, interna e internacionalmente, ao condenar a incursão moderadora de Lula no Oriente Médio; ao atacar o presidente Evo Morales, da Bolívia, a quem acusou de cúmplice do narcotráfico; enfim ao tomar posição firme contra o Mercosul.
Assim Serra evita a maioria do eleitorado brasileiro, que pouco se interessa pelos meandros da política internacional.
Nem mesmo quando falou sobre a saúde pública, setor onde o governo tem fraco desempenho, o tucano saiu-se bem.

Recentemente, um dos ministros de Lula contou, em reunião interna com assessores, que o PT tinha vivido problema semelhante ao do PSDB na eleição presidencial de 1994. O Plano Real estava “bombando” e a coordenação da campanha não sabia em que atirar. “Vamos atacar o real”, propunha um. “Mas, como fazer isso, se a maioria do eleitorado apoia?”, argumentava outro. “Então vamos elogiar”, sugeriram. “Mas, se a gente elogiar, favorece Fernando Henrique”, ponderaram.
FHC acomodou-se bem à aliança de centro-direita que teve no senador Marco Maciel, do PFL antecessor do DEM, um discretíssimo vice. Executou o programa das privatizações e deu início ao desmonte do Estado brasileiro. Sufocou as aposentadorias e usou a violência para conter reivindicações dos movimentos sociais organizados.
Cabe a Serra a dificílima missão de convencer o eleitor a votar nele e não votar em Dilma, herdeira legítima da administração Lula.

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