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O PV do B ainda não surgiu, mas já dá sono

por Felipe Corazza — publicado 25/03/2011 10h24, última modificação 26/03/2011 11h20
Da reunião em São Paulo na noite desta quinta-feira, o que se depreende é que o partido não está rachado, nem está unido, ou muito pelo contrário. Por Felipe Corazza. Foto: Agência Brasil
O PV do B ainda não surgiu, mas já dá sono

Da reunião em São Paulo na noite desta quinta-feira, o que se depreende é que o partido não está rachado, nem está unido, ou muito pelo contrário. Por Felipe Corazza. Foto: Agência Brasil

O esperado "racha" no Partido Verde, por enquanto, mostrou-se apenas uma pequena fissura. A reunião do grupo Transição Democrática na noite desta quinta-feira 24 em São Paulo não foi palco para a criação de uma nova legenda, mas para críticas de algumas das maiores figuras do partido - Marina Silva, Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis comandando o evento.

A briga eclodiu quando a executiva nacional dos verdes, em reunião no dia 17, decidiu adiar a sucessão da presidência do partido para 2012. O processo de escolha de um novo presidente - para substituir José Luiz Penna, há 10 anos no cargo - deveria acontecer na Convenção Nacional marcada para 2011.

Feita a manobra, Marina e Sirkis comandaram a formação de um grupo dissidente, a Transição Democrática, para exigir, nas palavras de seus integrantes, "democracia interna" no PV. "Seremos incoerentes se continuarmos falando em uma nova forma de fazer política se a nossa forma de fazer política interna continuar a mesma", condenou a candidata derrotada do partido à presidência da República.

No encontro de ontem, os integrantes do grupo lançaram um documento exigindo, entre outras coisas, a realização do pleito interno ainda em 2011 e uma campanha de filiação e recadastramento dos filiados. Sirkis lembrou que a própria filha de Marina tentou se filiar durante a campanha, mas não conseguiu: "Os nossos candidatos e filiados são inacessíveis".

Gabeira também criticou os membros do partido que ficam "quatro anos de pijama" até a hora da eleição" e bateu na gestão de Penna: "O partido não pode ser um feudo, ele tem que ser aberto". Ele próprio, no entanto, amenizou a briga, dizendo ter recebido um telefonema do presidente. Na conversa, Penna teria dito que estava disposto a rever os prazos de escolha interna.

Da reunião em São Paulo, o que se depreende é que o PV não está rachado, nem está unido, ou muito pelo contrário. O grupo da militância jovem que usava camisetas "Diretas Já no PV!" frustrou-se com discursos mornos e conciliatórios - à exceção de alguns momentos inflamados de Sirkis. O grupo que pretendia ouvir uma estratégia para combater a manobra de Penna teve que se contentar com discursos sobre a usina de Fukushima, no Japão, ou com a tímida proposta de Gabeira para que os militantes debatam "pelo site". O PV do B não surgiu - e ninguém sabe se surgirá -, mas já dá sono.

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