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O PMDB se assanha

por Celso Marcondes — publicado 22/01/2009 17h07, última modificação 23/08/2010 17h08
O senador José Sarney continua mantendo sua candidatura à presidência do Senado para surpresa e indignação da bancada petista.

O senador José Sarney continua mantendo sua candidatura à presidência do Senado para surpresa e indignação da bancada petista. O PT apoia Michel Temer, do PMDB, para presidente da Câmara, mas não tolera deixar a liderança das duas Casas com o partido aliado. A senadora Ideli Salvatti foi enfática ontem, falando à CBN: “é muito para eles, que já têm vários ministérios importantes no governo federal”, disse.

Enquanto isso, o bloco que apóia o candidato petista Tião Viana, contabiliza apenas 27 votos. Eles são insuficientes para resolver a parada. A união sacramentada pelos líderes de PT, PSB, PDT, PSOL e PRB necessitaria dos votos de alguns tucanos e do DEM para levar. Só que estes já sinalizam claramente para os lados de Sarney, que anda magoado com a falta da retribuição do presidente Lula ao apoio que ele lhe teria dado nos momentos mais difíceis do governo. Se o PMDB fechar com as bancadas completas de PSDB e DEM, Sarney vence dia 2 de fevereiro. Mas até lá, muita coisa ainda pode acontecer e o voto secreto ainda permitirá surpresas de última hora.

Enquanto aguardamos os próximos movimentos, é bom mapear os passos mais recentes do PMDB. O grande aliado do governo federal está mais vivo do que nunca. Foi o maior vitorioso das eleições municipais de 2008, com 1.194 prefeituras conquistadas só no primeiro turno.

Entre as capitais, venceu no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Goiânia, Campo Grande e Florianópolis. Quércia, aliado de Kassab na vitória de São Paulo, bancou nesta semana o acordo Serra/Alckmin no governo do Estado. O ministro Geddel Vieira mostra as garras na Bahia e ameaça acintosamente os planos de reeleição de Jaques Wagner. Sarney se mexe para recuperar o poder no Maranhão. No Rio de Janeiro, governo do Estado e prefeitura estão nas mãos do partido.

Agora, com a garantia de que Temer presidirá a Câmara, o partido também quer o Senado. É poder que não acaba mais.

Ano que vem teremos eleições presidenciais e para os governos de Estado. O aliado do governo Lula pretende chegar bem gordo até lá. Não será espectador dos confrontos PSDB/PT, nem se alinhará automaticamente com a candidata do presidente.

O PMDB, todos sabem, é um grande conglomerado de partes e caciques regionais. Mas agora todas eles estão com fome e sede de espaço.