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O PMDB faz a festa

por Celso Marcondes — publicado 03/02/2009 16h55, última modificação 23/08/2010 17h00
O Congresso acaba de sufragar uma importante renovação: o senador José Sarney, 78, e o deputado Michel Temer, 68, presidirão o Senado e a Câmara.

O Congresso acaba de sufragar uma importante renovação: o senador José Sarney, 78, e o deputado Michel Temer, 68, presidirão o Senado e a Câmara.

Pela terceira vez estarão à frente das duas Casas. Renan Calheiros, o principal articulador da candidatura Sarney, festeja e está de volta - outra renovação importante.

Já Ideli Salvatti, senadora do PT por Santa Catarina, desolada, vendo o naufrágio da candidatura Tião Viana, declarou: “Foi uma traição ampla, geral e irrestrita” (ah, o voto secreto, dá uma dó dos ludibriados...).

Depois de ter feito barba e cabelo numa só tarde, a contabilidade do PMDB engorda. Agora, o controle do Congresso se soma aos 7 ministérios, aos 7 governos de Estado, as 5 prefeituras de capitais, as 1.197 prefeituras do interior, aos 20 senadores, aos 96 deputados federais, aos 8.308 vereadores. Haja poder.

A ministra Dilma Roussef declarou que os resultados das votações de ontem não têm nada a ver com 2010 e o presidente Lula deixa claro que nada muda para o governo, já que se trata de partido da sua base. De fato, não deu pra sentir nenhuma comoção entre a sociedade brasileira.

Mas a rainha das especulações neste day after é imaginar o destino do PMDB nas eleições presidenciais. E a resposta é bastante fácil. Vejamos:

Num cenário otimista para o governo Lula, com os efeitos mais nefastos da crise econômica sendo razoavelmente contidos e a candidatura Dilma mantendo o PAC em ação, o PMDB iria de vice-presidente (Temer ? Sérgio Cabral? Geddel? Façam suas apostas).

Para o cenário pessimista para o governo Lula, e para o País, com a crise batendo mais fortemente em nossas praias, o desemprego grassando e o PAC abalado, estaria aberto o caminho para a passagem com armas e bagagens para os lados da oposição. Michel Temer construiria a ponte para o acordo com o governador Serra. Claro que em troca também da vaga para a vice-presidência.

E se a coisa ficar meio indefinida, com PT e PSDB se matando e o País meio sem rumo? Aí voltaria a especulação em torno da cooptação de Aécio Neves para a federação peemedebista e a criação de uma terceira via, já que o partido não tem nenhum nome de maior expressão nacional.

Não achou fácil? Então, que o leitor me desculpe se ainda não me fiz entender: o “fácil” da história é concluir que o PMDB estará no poder no governo que assumirá em 2011. Mesmo porque, se ele for derrotado nas urnas, não demorará nadinha para esquecer as querelas eleitorais e cavar outra meia-dúzia de ministérios.

Que me perdoem também os leitores pelas obviedades, mas ainda estou abalado com o volume das transformações que nosso Congresso sofreu ontem.