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Política

Novo Governo

O papel de cada um

por Leandro Fortes e Luiz Antonio Cintra — publicado 19/11/2010 01h29, última modificação 22/11/2010 12h53
Guido Mantega fica na Fazenda e ganha poder. Palocci deve cuidar da articulação política
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Dilma o chama de "Palocinho". Já Mantega terá de acabar com os ruídos na futura equipe econômica

Guido Mantega fica na Fazenda e ganha poder. Palocci deve cuidar da articulação política

Faltaram apenas as previsões de Oscar Quiroga. Pensando bem, o notório astrólogo que leu nas estrelas a vitória de José Serra nas eleições presidenciais naufragaria acossado por tamanha concorrência. Como de praxe em transições de governo, o mercado da boataria e da adivinhação em Brasília vendeu o que tinha e o que não tinha para entregar: as feições do futuro governo de Dilma Rousseff. E o que diziam os Quirogas da política? Henrique Meirelles seria mantido no Banco Central, Antonio Palocci assumiria um ministério de relevância como a Saúde e Guido Mantega, se ficasse na Fazenda, permaneceria a contragosto da futura presidente. Dizia-se que Mantega não era o “preferido” e que sua permanência seria uma “sugestão” de Lula.

Mas Mercúrio não estava na casa 9 ou o Sol em sua cúspide. E acreditar nessas informações foi como se guiar pela coluna de astrologia dos jornais. Os primeiros sinais concretos mostram outro desenho. Mantega não só continuará ministro como tende a aumentar sua influência sobre a área econômica. Desde a campanha e com mais intensidade nas últimas semanas, Dilma Rousseff tem sido aconselhada a eliminar os “ruídos” entre a Fazenda e o BC. Desde que assumiu o ministério, Mantega participa de uma espécie de “guerra fria” com Meirelles e sua turma. Se dependesse do Banco Central, por exemplo, as medidas tomadas para estimular o consumo e combater os efeitos da crise de 2008 não teriam sido adotadas. O efeito colateral é uma certa esquizofrenia na política – com a Fazenda a defender os estímulos e o BC a receitar doses cavalares de juros. Lula sempre soube manejar essas “diferenças”, mas o temperamento da sucessora e a necessidade de enfrentar o atual momento da crise mundial, com uma guerra cambial em curso e cenários nada róseos pela frente, exigem mudanças.

Portanto, crescem nas bolsas de apostas as chances de Meirelles ser substituído por Alexandre Tombini, funcionário de carreira da instituição e atual diretor de Normas.  Como prêmio pelos serviços prestados, Meirelles assumiria um posto em uma embaixada, talvez em Washington, quem sabe em algum país importante da Europa. Algo condizente, digamos, com sua physique du rôle.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 623, já nas bancas.

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