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O novo e o velho Senado

por Ricardo Young — publicado 13/09/2010 08h59, última modificação 13/09/2010 12h32
O Senado não pode ser usado como prêmio para oferecer cargos a suplentes. Nos últimos anos esse tipo de arranjo acabou por descaracterizar a função da Câmara Alta
O novo e o velho Senado

O Senado não pode ser usado como prêmio para oferecer cargos a suplentes. Nos últimos anos esse tipo de arranjo acabou por descaracterizar a função da Câmara Alta. Foto: Agência Senado

Aos poucos a campanha para a eleição dos senadores que irão compor o cenário político dos próximos anos está se redefinindo em São Paulo. Dois dos mais tradicionais políticos paulistas estão entre as primeiras baixas. Orestes Quércia, ex-senador e ex-governador, se afastou por questões de saúde, enquanto Romeu Tuma, que passou de uma carreira na polícia para outra na política também está, segundo notícias nos jornais, com a saúde debilitada. É sempre bom lembrar que o cargo de senador é uma escolha por oito anos. Exatamente por isso é muito comum que suplentes, que não receberam um voto sequer, assumam o cargo por motivos diversos.

O Senado não pode ser usado como prêmio para oferecer cargos a suplentes. Nos últimos anos esse tipo de arranjo acabou por descaracterizar a função da Câmara Alta, que deve ser uma instância de representação dos Estados e não de negociatas políticas. Pelo Senado passam decisões relativas à política externa, aos financiamentos públicos e a construção de uma cidadania moderna, capaz de oferecer a cada brasileiro a estabilidade institucional necessária para a construção de uma nação contemporânea e inserida no mundo e partícipe das grandes decisões globais.

Justamente por isso o senador tem de ser provado pelo tempo. Exige-se de um candidato ao Senado a mesma idade mínima de um candidato à Presidência da República. Uma demonstração de que espera-se deste representante maturidade para tomar decisões e propor caminhos. O quadro eleitoral em São Paulo está cada vez mais indefinido no que tange aos candidatos ao Senado. Nenhum partido concorrente tem candidatos para as duas vagas a serem preenchidas. Mais, apenas 20% do eleitorado já fez suas escolhas, restando uma grande maioria de indecisos.

Que o quadro de eleitos, ao final, represente o melhor que São Paulo pode oferecer. Não é possível que candidatos artistas venham apenas para puxar votos, e outros nesta mesma linha de conduta mereçam a atenção do eleitor. É bom lembrar que, nos últimos anos, ou últimos mandatos, o Senado foi vilipendiado por pessoas que não tem nem o direito, nem a legitimidade de representar a Federação brasileira.

Este é o cenário da eleição para o Senado, onde as várias coligações e muitas candidaturas estão sendo usadas para ampliar tempo na TV e para puxar votos para candidatos a deputados estaduais e federais. Uma eleição com o perfil decisivo para o futuro que queremos para o Brasil não merece ser tratada desta maneira. É preciso ampliar a participação dos eleitores no debate político e usar as inovadoras ferramentas de mídias sociais que a internet nos disponibiliza. Com isso podemos fazer a cobrança efetiva de compromissos com a sociedade, e não apenas nos deixar levar em manobras política que pretendem, apenas, esconder as reais intenções de alguns políticos.

Os novos senadores terão mandato até 2018, muito além do mandato do presidente que será eleito nos próximos dias. Mais do que uma aliança político partidária, precisa ter um comprometimento com o Brasil.

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