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Política

O lulismo baiano

por Cláudio André de Souza — publicado 15/10/2014 19h01
Eleição de Rui Costa não foi uma surpresa: sabia-se do potencial nos médios e pequenos municípios, onde o perfil do eleitorado lulista se assemelha ao nacional
Divulgação
Rui Costa

Rui Costa comemora eleição na Bahia

Em tese razoavelmente aceita pelo mundo acadêmico, o cientista político André Singer (USP) analisa a ascensão do lulismo na política brasileira enquanto fenômeno de realinhamento eleitoral, ou seja, a partir de 2006 o projeto lulista é apoiado significativamente por eleitores que possuem menor renda e escolaridade e estão em municípios pequenos ou periferias. Ao contrário das eleições anteriores, quando o PT recebeu votos de eleitores mais escolarizados, com maior renda e pertencentes às grandes cidades.

Esta “reviravolta” tem como causalidade as políticas sociais (valorização do salário mínimo, elevação do crédito, geração de emprego, Bolsa Família, etc.) favoráveis aos mais pobres, porém, dando manutenção ao status quo dos mais ricos enquanto um pacto conservador.

As contradições do lulismo balizaram as alianças nos estados. Em 2006, a vitória de Jacques Wagner (PT) foi interpretada por alguns fatores: a) desempenho partidário crescente até a eleição; b) crise social, cultural e política do carlismo; c) a liderança nacional de Lula e a alocação de recursos no Estado; d) apoio de partidos e líderes locais oriundos da base carlista.

A eleição de Rui Costa não foi em si uma surpresa, pois sabia-se do potencial dos aliados nos médios e pequenos municípios, onde o perfil do eleitorado lulista se assemelha ao nacional. Além do que, o governo do estado soube interiorizar programas sociais e de infraestrutura, na medida em que reverteu a avaliação negativa do governo nas maiores cidades, sobretudo, na capital.

Pesou também a força de partidos de “carne e osso”, com máquinas organizativas muito bem estruturadas em todo o estado. A indicação na chapa de João Leão (PP) à vice e Otto Alencar (PSD) ao Senado, não se deveu a nenhum elemento simbólico ou de carisma, mas ao protagonismo destes no mapa eleitoral.

O desafio do novo governo será continuar um projeto estadual que inspire a solução de questões estruturais, equilibrando a mudança e a conservação de interesses, inclusive, daqueles que estão no poder antes e depois do carlismo.

Cláudio André de Souza é mestre em Ciências Sociais (UFBA) e Professor de Ciência Política (Universidade Católica do Salvador/UCSAL).

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