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Política

Em breve

O livro de Amaury Ribeiro Jr. vem aí

por Redação Carta Capital — publicado 01/03/2011 18h17, última modificação 01/03/2011 18h28
O blog do Lucas Figueiredo apurou: uma primeira versão do famoso livro que agitou a campanha eleitoral já foi entregue
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O jornalista pode pagar o pato e ser condenado sozinho pela PF no caso do dossiê sobre o tucano José Serra

O blog do Lucas Figueiredo apurou: uma primeira versão do famoso livro que agitou a campanha eleitoral já foi entregue.

O livro e o risco de Amaury Ribeiro Jr.

Por Lucas Figueiredo (lfigueiredo.wordpress.com)

A chapa vai esquentar!

Enganou-se quem achava que não passava de fantasia a história do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. sobre supostas irregularidades nas privatizações promovidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Não era cascata de Ribeiro Jr. para se livrar das graves acusações que pesam contra ele na Polícia Federal. O livro existe, tem editora e, pelo que apurou o blog, uma primeira versão da obra já foi inclusive entregue.

Tucanos, petistas e empresários, tremei-vos!

Mas deve tremer também Ribeiro Jr., pois até agora, no inquérito que apura o caso do dossiê contra José Serra, a PF acredita ter provas para condenar apenas o jornalista.

Segundo também apurou o blog, com as provas que tem até agora, a PF tende a fechar o inquérito com as seguintes conclusões:

1) Em 2009, Ribeiro Jr. teria violado o sigilo fiscal de Serra quando produzia um dossiê sobre o tucano para o Estado de Minas, jornal em que trabalhava na época como repórter;

2) Apesar de supostamente ter encomendado o dossiê a Ribeiro Jr. e de ter pagado as despesas para a produção da papelada, o Estado de Minas e sua direção não teriam infringido a lei. Pelo Código Penal, encomendar dossiê não é crime. Crime foi a quebra do sigilo de Serra, ato que teria sido arquitetado unicamente por Ribeiro Jr.;

3) Apesar de o próprio jornalista ter afirmado que o objetivo do dossiê seria “proteger” o então governador de Minas Aécio Neves (PSDB), de quem o Estado de Minas é aliado, não há provas no inquérito que sustentem que de fato o cliente final da papelada fosse o tucano mineiro. Na época, Aécio disputava com José Serra a condição de candidato do PSDB à Presidência da República;

4) Depois de deixar o Estado de Minas, na virada de 2009 para 2010, e ao negociar sua participação em um núcleo de inteligência que estava sendo criado para a pré-campanha de Dilma Rousseff, Ribeiro Jr. apresentou a petistas informações que colhera sobre Serra na época em que trabalhava no Estado de Minas. Entretanto, apesar de terem tomado conhecimento de dados supostamente obtidos por meio de crime, nenhum integrante do PT ou da pré-campanha de Dilma infringiu a lei. Para os petistas, vale o mesmo raciocínio do caso do Estado de Minas: a decisão de quebrar o sigilo teria sido responsabilidade exclusiva de Ribeiro Jr.

Isso é o que a PF tem até agora. Com base na letra fria da lei, Ribeiro Jr. poderá ser o único a pagar o pato. Ele foi indiciado em quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documento falso e oferecimento de vantagem a testemunha. O jornalista alega inocência e afirma peremptoriamente não ter quebrado o sigilo fiscal de Serra.

Agora é esperar pelo livro para ver debaixo desse angu tem mesmo alguma carne.

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