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Política

José Alencar

O legado de José Alencar

por Aurélio Munhoz — publicado 29/03/2011 18h16, última modificação 29/03/2011 18h16
A morte de José Alencar significa a perda do símbolo de uma geração de cidadãos e de lideranças políticas que aliaram a rara virtude de uma vida digna tanto no plano público quanto no privado. Por Aurélio Munhoz

De Curitiba, a homenagem do nosso colunista: “ a história imortaliza um ser humano”

A morte do ex-vice-presidente da República, José Alencar, não significa apenas o fim do político carismático e bonachão que conhecemos e aprendemos a respeitar, nos últimos oito anos. Significa a perda do símbolo de uma geração de cidadãos e de lideranças políticas que aliaram a rara virtude de uma vida digna tanto no plano público quanto no privado.

Não foram apenas os postos que ocupou na estrutura do Estado, em Minas Gerais ou em Brasília, que alçam sua biografia ao primeiro plano da política nacional. Nem sua brilhante trajetória de empresário de sucesso do ramo têxtil. Foi a coerência que imprimiu no exercício de ambos os papéis, reunidos em torno do cidadão José Alencar.

Coerência em dois aspectos. Primeiro, na sua enorme capacidade de diálogo e de agregar em torno de si os mais difusos interesses, virtude que praticamente garantiu a digestão da candidatura do então líder operário Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República, em 2002, junto aos peso-pesados do PIB privado nacional.

Segundo, na sua sensibilidade social como executivo e fundador de uma das melhores empresas do País: a Coteminas, empresa-modelo em padrões de gestão eficiente dos recursos naturais, o que lhe é garantido pelo fato de possuir as mais qualificadas estações de tratamento de efluentes mais modernas do Brasil.

Mas foi no plano social que Alencar mais se destacou, como homem e executivo. Ao invés de apenas pregar mudanças de base na economia, como quando defendeu com unhas e dentes a redução dos juros para gerar mais empregos e renda, o vice-presidente tratou de dar o exemplo fazendo com eficiência a lição de casa na sua própria empresa.

A Coteminas oferece a seus colaboradores condições privilegiadas de trabalho em um País no qual a relação patrão-empregado ainda é marcada por um velado - e duro - conflito de classes. Até o sindicato de trabalhadores da fábrica de Montes Claros, matriz da empresa, considera a indústria exemplar.

Entre outros benefícios, parte deles viabilizado pelo exemplar Centro Educacional Coteminas, a empresa oferece bolsas de estudo para os trabalhadores, orientações sobre dezenas de assuntos relevantes (saúde e afetividade, inclusive), descontos nas compras de remédios em supermercados, prêmios por produtividade aos funcionários, salário adicional no final do ano para os mais assíduos, ajuda de custo na compra de material escolar, transporte de graça aos estudantes e educação gratuita até o final do ensino médio.

Mas José de Alencar também vai deixar um exemplo de fé e resignação, virtudes que comprovou quando expôs, com incrível transparência e coragem, os detalhes da sua hercúlea guerra contra o câncer – e a própria morte. Assim como Lula, que deixou a presidência maior que o PT, o cidadão José Alencar deixa a vida maior que o político e o empresário que o Brasil aprendeu a admirar. A história sepulta o homem na tarde desta terça-feira, mas imortaliza um ser humano que, por seu singular legado, será inserido na galeria dos extraordinários cidadãos que o Brasil já teve.

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