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O gradualismo de Tombini

por Redação Carta Capital — publicado 25/04/2011 11h46, última modificação 25/04/2011 15h43
O Banco Central volta a subir os juros, mas diminui o ritmo do aperto monetário. Na quarta-feira 20, o Copom elevou a Selic de 11,75% para 12% ao ano. Da Redação

O banco central confirmou as expectativas e reduziu o ritmo de alta da taxa básica de juros. Na quarta-feira 20, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 11,75% para 12% ao ano. A decisão não foi unânime. Dois dos sete diretores votaram por uma elevação de 0,5 ponto.

Essa foi a terceira reunião do comitê sob o comando de Alexandre Tombini, e do governo Dilma Rousseff. Nas duas anteriores, em janeiro e março, o aumento foi de 0,5 ponto. Com a decisão, os juros básicos brasileiros passaram a acumular alta de 1,25 ponto porcentual em 2011, a maior em todo o mundo. O Copom volta a se reunir nos dias 7 e 8 de junho.

Até uma semana antes da reunião do Comitê, a maior parte dos agentes financeiros projetava uma nova guinada de 0,5 ponto em resposta ao recrudescimento da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) subiu de 0,6%, em março, para 0,77% em abril, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Muitos economistas revisaram para baixo, entretanto, suas apostas em meio às preocupações com o cenário internacional. Além do agravamento da crise na Europa, a decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s de reduzir, pela primeira vez na história, sua perspectiva sobre a dívida soberana dos Estados Unidos assustou os investidores ao redor do globo.

Também pesaram os últimos dados sobre o emprego no Brasil, que indicam um desaquecimento da economia. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou forte queda na criação de novas vagas. Em março, foram abertos 92.675 postos de trabalho, ante 266.415 no mesmo período do ano passado. O número ficou abaixo da metade do que era esperado pelo mercado, com expectativas em torno de 200 mil novas vagas.

Muitos analistas já viam no último Relatório de Inflação, que o Banco Central divulgou em março, a indicação de que o ritmo de alta dos juros seria menor dali para frente. No documento, os economistas da instituição indicaram que a taxa de inflação vai convergir para o centro da meta, de 4,5%, em 2012. A avaliação é de que a autoridade monetária desistiu de derrubar a inflação já em 2011, sob o risco de comprometer o crescimento econômico. O mercado projeta que o IPCA fechará o ano em 6,29%, perto do teto da meta, de 6,5%. Para o ano que vem, a projeção é de 5%. •

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