tamanho da fonte minímo médio máximo

Política

Leandro Fortes e Sergio Lirio

Política

08.02.2011 10:20

O dono do ninho

Aécio Neves acumula aliados e vitórias, enquanto Serra tenta manter-se à tona. Do resultado da disputa depende o futuro do PSDB e da oposição

A posse dos novos deputados federais e senadores, em 1º de fevereiro, marcou também o fim das férias da oposição. Iludiuse, porém, quem esperava a apresentação de uma agenda de contraposição ao governo Dilma Roussef. Em vez disso, a plateia assistiu a um bate-boca entre os grupos que disputam a hegemonia no PSDB e em seu satélite, o DEM. Alguns lances poderiam ser confundidos com brigas familiares no subúrbio, o que levou um gaiato e experiente senador a sugerir a CartaCapital que, por trás das cenas explícitas de descortesia, talvez esteja uma estratégia das legendas de se aproximar das massas.

Rodrigo Maia, presidente do DEM, chegou a comparar a situação atual de José Serra, derrotado nas eleições presidenciais do ano passado, à do ditador egípcio Hosni Mubarak: “O projeto presidencial de 2010 tem de entender que já passou e está como o governo do Egito: caiu e só falta desocupar o espaço”. Senador eleito por São Paulo e um dos poucos serristas que têm coragem de se expor, Aloysio Nunes Ferreira atacou a coleta de assinaturas de apoio à manutenção de Sérgio Guerra no comando do PSDB, cargo cobiçado por Serra: “É um método odioso para qualquer tipo de indicação partidária, ainda mais para o presidente nacional do partido”. Nunes Ferreira ainda desdenhou de Aécio ao dizer que sua candidatura à Presidência da República não era “natural” e que havia outros nomes.

A contenda parece totalmente favorável a Aécio. Enquanto Serra conta com Nunes Ferreira e a velha simpatia da mídia, em especial a paulista, o senador mineiro acumula cada vez mais força no tucanato, tem a preferência inconteste das lideranças que hoje importam no DEM e transita bem em alas do governismo – PSB, PDT e PP apreciam seu estilo. Além disso, unidos pela aversão a Serra, Aécio e o governador paulista Geraldo Alckmin teriam feito um acordo: trabalhar em conjunto para enterrar o serrismo e dividir o comando da legenda. Antes desconfortável no PSDB, a ponto de discutir no ano passado
sua desfiliação, o neto de Tancredo parece ter o ninho à sua inteira disposição. Tanto que a boataria sobre quem poderia deixar o partido se inverteu. Agora é Serra quem teria cogitado sair, espalha-se na praça. O mais provável, no entanto, é que os boatos tenham surgido de uma meia-verdade somado a um raciocínio tortuoso. O ex-governador paulista tenta evitar que seu aliado Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, troque o DEM pelo PMDB. Se a permanência de Kassab no Democratas for impossível, Serra preferiria que o amigo fundasse uma nova agremiação – tanto para evitar que o prefeito caia na órbita dilmista quanto para deixar uma porta aberta, caso não encontre mais espaço entre os tucanos.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 633, já nas bancas

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

  1. Paulo disse:
    O caminho natural do PSDB e de seus satélites é uma reciclagem,lixo tem de ser reciclado, senão emporcalha o meio ambiente!!!
  2. Marcos Alexandre Ricaldoni de Miranda disse:
    Como é difícil aos velhos encastelados e mal acostumados ao poder, ver surgirem novas lideranças e com personalidade. Como é chato ter que aturar gente que pensa e vê nação como um apêndice do próprio umbigo. O Brasil é muito maior que um estado, e é preciso em democracia haver alternancia de poderes. Não existem líderes sem defeitos ou problemas pessoais. Antes de mais nada são gente, pessoas como outra qualquer; portanto com deficiencias também. Mas desdenhar de uma liderança nova, aprovada em oito anos de mandato legal, com altíssimos índices de aprovação, com espetacular votação; é ser burro! Estou falando de Aécio, Eduardo Campos, Beto Richa e outros mais nessa seara da oposição. Aliás, aos petistas cegos: Itamar arou o campo e semeou, FHC regou e cuidou da lavoura, Lula colheu a produção. Não entenddeu? Então pensa aí: houve um plano de estabilização que muitos tentaram e não o fizeram com determinação( um Mercadante apressado, em nome do PT o condenou e desdenhou !). Um presidente seguinte enfrentou a reestruturação dos atores economicos( privatizações, demissões, enxugamento...Lei de Responsabilidade Fiscal !!!, implantação incial de programas sociais )e por fim um presidente que soube colher de maneira apropriada esta fartura amadurecida( renomeando e aprimorando os programas sociais, não reestatizando nenhuma privatização, mantendo a política economica, ampliando o crédito geral reforçando o mercado nacional...). Agora temos uma presidente( respeitemos nossa língua, por favor )que precisará de ajustar custeio elevado e controlar mais seriamente uma inflação crescente( não vamos chamar isso de herança maldita, por favor. Sem rotulações.)E que faz parte NORMAL deste processo economico. Ainda assim teremos grandes possibilidades de caminharmos em direção ao futuro promissor. Vem aí Copa do Mundo, Olimpíadas, pre-sal;ou seja recursos irrigando nossa economia com constancia e abundancia. Tomara que a presidente comporte-se de maneira madura, determinada e séria( parece que será a tônica dela ), sem se levar pelos arroubos, arrogancias e vaidades principalmente de FHC e Lula. O país precisa entrar numa fase mais madura e objetiva. Nesse contexto, todos acima tiveram e tem participações importantes e estruturais na construção desta realidade. O resto é rivalidade de clássico onde a paixão retira a razão. Voltando ao tema: novos líderes, com responsabilidade política, votando conforme interesses do país e não jogando pedras em telhados de vidros, será muito salutar à nação! Renovação sim, e de várias partes do país para pensarmos e agirmos como nação!
22fev

As próximas Raposas Serra do Sol

Congresso reivindica poder de decidir sobre futuro das terras indígenas. Hoje, o País tem 335 pedidos de demarcação encaminhados. Por Marcelo Pellegrini

22fev

“O Tribunal transformou o processo jurídico em político”, diz jornalista processado

Alvo de 33 ações judiciais, editor de jornal alternativo no Pará conta os percalços do processo movido contra ele e fala das ameaças que recebeu em sua carreira

22fev

Vai que é sua, Aécio!

Quando anunciar oficialmente que disputará a prefeitura paulistana em 2012, José Serra sinalizará a desistência de voltar à corrida presidencial em 2014

19fev

A eleição e a Copa do Mundo

O Mundial pode tornar monotemático a disputa presidencial de 2014. Um vexame nos gramados terá menos elevância
que falhas na organização.