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O complexo e confuso mundo atual

por Paulo Yokota — publicado 04/08/2014 14h38
As forças antagônicas são compostas de muitas facções difíceis de serem aglutinadas em poucas e definidas posições

Todos que acompanham com algum cuidado a atual situação econômica e geopolítica mundial com uma visão histórica poderão aceitar, sem muita dificuldade, que passamos por um dos períodos de mais elevada complexidade e confusão, com o acirramento de posições que tendem a gerar perigosas radicalizações de alguns segmentos.

Os atuais conflitos armados mais agudos como o da Ucrânia e arredores diante das posições assumidas pela Rússia, bem como o de Israel com os Palestinos, não aparentam contar com soluções simples, tendendo a manter tensões em evolução por um longo período, com o lamentável sacrifício de muitas vidas inocentes. As forças antagônicas, naturalmente, acabam compostas de muitas facções difíceis de serem aglutinadas somente em algumas poucas e definidas posições. Os longos e graves resquícios deixados por dramas profundos ao longo da história não serão nunca fáceis de ser absorvidos.

O já complicado quadro econômico mundial do qual se procurava sair ainda incipientemente, de um longo período de baixas atividades provocadas por especulações financeiras e imobiliárias, e as muitas injustiças nas suas correções acabam se complicando com as incertezas que se disseminam por muitas regiões. As abundantes análises acabam oferecendo quadros de interpretações superficiais, onde predominam impressões e desejos mais emocionais. Até as de inspirações conspiratórias de que estes conflitos atuais visam alimentar a demanda de armamentos num esforço para a ativação de algumas economias, que pode ter um resquício de verdade.

A velocidade das informações expressas em poucas linhas acaba ganhando prioridade com o uso dos atuais meios eletrônicos de comunicação social, sem que análises mais profundas tenham a possibilidade de se consolidar. Observa-se, ao mesmo tempo, uma raridade de colocações de verdadeiros estadistas, capazes de aglutinar os sentimentos de multidões que deem respaldo a ações com diretrizes claras, ainda que de execução de prazos mais longos, visando as difíceis convivências pacíficas.

Neste complexo quadro, tanto o desconhecimento como as descontroladas ansiedades parecem agravar as reduções das credibilidades sobre as instituições que vinham se aperfeiçoando e consolidando ao longo da história. Existem muitos anarquistas que acreditam que o simples aumento do caos seria capaz de sepultar o que já existe para gerar uma nova ordem, capaz de atender as reivindicações da maioria, quando só o podem para alguns poucos casos e de formas duvidosas. Com todas as suas dificuldades, a democracia parece ainda o mecanismo que permite a melhoria do bem estar, com a manutenção da liberdade, mas ela acaba sendo utilizada para as variadas conveniências.

Há o esquecimento de que avanços na melhoria do bem estar de muitos só podem ser obtidos com a acumulação do trabalho ao longo do tempo. Difícil admitir que não existem lanches grátis. Os que acreditam em milagre imaginam que, com uma opção ideológica, é possível superar as limitações objetivas existentes, bastando a vontade que poderia ajudar na criação de um clima favorável, mas dificilmente resolver todos os impasses existentes.

O Brasil nem sempre é compreendido pelas suas posições visando os diálogos até com aqueles com os quais não se pode concordar. Ainda assim, a diplomacia precisa continuar insistindo, com a máxima criatividade, abrindo espaços até onde parece impossível. Devemos acreditar que os seres humanos não possuem alternativas a não ser conviver até com os que pensam de formas diferentes das nossas, neste mundo limitado e globalizado.

Não se pode perseguir uma situação ideal, que gostaríamos, mas lamentavelmente não parece existir. E o chamado Second Best parece ser o menos ruim, com o qual precisamos aprender a conviver. Ainda que esta situação nos pareça desconfortável, sempre teremos que abrir mão de algumas coisas para acomodar também as pretensões dos outros.

Não se trata de um aprendizado fácil, pois exige sacrifícios. Trata-se de maximizar os benefícios possíveis dentro de uma curva de conflitos, onde se contrapõem interesses diversos. O mínimo indispensável é o respeito, não sendo aceitável que se imponha a vontade de uns pela força, pois a convivência não seria duradoura pela geração de novas reações, até de forma desesperada.

Há que se aceitar uma arbitragem internacional, pois persistem sentimentos morais que ainda alimentam os seres humanos, que pretendem ser racionais, ainda que não os sejam totalmente.

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