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O céu era o limite para a quadrilha, diz senador

por Matheus Pichonelli publicado 02/04/2012 14h17, última modificação 02/04/2012 17h04
Após novas revelações, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) diz que Demóstenes é apenas personagem da novela sobre um esquema suprapartidário
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O senador Radolfe Rodrigues (à dir.), ao lado do presidente do PSOL, Ivan Valente. Foto: Agência Brasil

Uma semana após encaminhar uma representação ao Conselho de Ética do Senado para investigar Demóstenes Torres (DEM-GO) por quebra de decoro parlamentar, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirmou nesta segunda-feira que apenas uma CPI será suficiente para analisar o alcance dos tentáculos da rede criminosa supostamente montada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Em entrevista a CartaCapital, Randolfe  disse ter lido as novas revelações sobre o esquema divulgadas no fim de semana – entre – e concluído que Demóstenes era apenas “um dos muitos personagens dessa novela”.

“É uma coisa que necessita de investigação. Era um esquema suprapartidário, com relações por todos os lados”, disse.

Ao ser questionado sobre as ligações do bicheiro com jornalistas em Brasília, o senador afirmou: “Ele (Cachoeira) montou uma rede de conluio e conspiração entre vários partidos, e misturou a coisa pública e privada.”

Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Cachoeira se gabava de ter sido fonte de “todos os furos” dados pelo diretor da sucursal da Veja em Brasília, Policarpo Jr (leia mais ).

“A contravenção do jogo era apenas mais uma das ações criminosas, pelo que está sendo revelado pelas revistas do final de semana. O próximo negócio seria fraudar licitações públicas na Copa do Mundo. Pelo que estou vendo, só o céu era o limite.”

Sobre a situação do colega do DEM, que já admitiu estar “morto politicamente”, Randolfe comentou: “Está consolidada uma derrota para o País. A figura do senador inspirava a todos do Senado, independentemente do lado político. É uma derrota quando alguém é cooptado para o outro lado, e da pior forma.”

Além da representação no Conselho de Ética do Senado, Demóstenes, que pode anunciar sua saída do DEM ainda nesta semana – ele já deixou a liderança do partido na Casa – é alvo também de um pedido de abertura de inquérito apresentado pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.