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Notas sobre Sarney, Lula, Luiz Fux, o golpe de 64 e outras coisas mais

por Mauricio Dias publicado 29/03/2011 15h24, última modificação 29/03/2011 17h40
Nosso editor especial Maurício Dias comenta acontecimentos do cotidiano em sua coluna semanal "Andante Mosso", na edição impressa de CartaCapital

Recalque maranhense

Há uma biografia do ex-presidente José Sarney na praça. Nela, Sarney faz do falecido deputado Ulysses Guimarães um dos protagonistas da vida dele. E é implacável em quase todas as 72 citações. Uma delas: “Não tem grandeza nem espírito público. É um político menor”. Ulysses não era exatamente como o Odisseu, mas tinha ironia e coragem. Virtudes que na ditadura faltaram aos que se ajoelharam aos pés dos generais. Vingança, diz o velho ditado, é um prato que se serve frio. O molho maranhense sugere: de preferência, com o adversário já morto.

Informação x Especulação

O ex-presidente Lula foi elegante ao se ausentar do almoço com Barack Obama, em Brasília. Independentemente de eventuais efeitos políticos da decisão, a presença dele poderia constranger a presidenta Dilma. Lula roubaria a cena involuntariamente. Fontes absolutamente confiáveis ouvidas pelo colunista falam sobre os dois principais momentos do episódio: Lula ligou para Dilma e avisou que não iria; Lula voltou a ligar para a presidenta após o almoço.

Ação e reação

Por decisão oficial, o Exército tirou do calendário de efemérides a comemoração sobre o golpe de 1964. Mas há uma reação programada para o dia 31 de março em algumas organizações militares. Diversos comandos, como o de Minas Gerais e do Nordeste, distribuem convites alusivos ao aniversário do que chamam de “revolução democrática”.

Vizinhança

A propósito, passou em branco no Brasil, no dia 24 de março, os 35 anos do golpe na Argentina. Um silêncio ensurdecedor.

Fiat Lux

Luiz Fux brilhou com o voto de estreia como ministro do STF, desempatando a decisão sobre a validade da Lei da Ficha Limpa para a eleição de 2010. Protegeu com rapidez o maltratado artigo 16 da Constituição: “A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”.

Trabalhismo I

Um conjunto de circunstâncias impulsionou o golpe militar de 31 de março de 1964, que está às vésperas de completar 47 anos. Criado por Getúlio Vargas, em 1945, pouca atenção se dá à velocidade de crescimento do PTB no espaço de quase 20 anos. Na eleição de 1962, o partido conquistou 105 cadeiras e marchava para o controle da Câmara dos Deputados.Embora embalado por um hino com letra de tons radicais (Enfrentar o poder reacionário que espolia a nação brasileira/ e o trabalho do nosso operário), era um partidode centro que abrigava parte da esquerda, inclusive o Partido Comunista (PCB).O golpe de 1964 freou o PTB.

Trabalhismo II

Uma curiosidade histórica. Em duas décadas, a trajetória do PT se aproxima à do PTB (tabela). Os petistas saltaram de 35 deputados para 88 na eleição de 2010. Não há golpe à vista, mas a reforma política em debate quer frear o avanço dos petistas. O PT, a exemplo do velho PTB, é um fantasma que ronda o processo eleitoral.

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