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Diálogos Capitais | Fórum Brasil

"Nossa obrigação é propor caminhos mesmo no ambiente conturbado"

por Dimalice Nunes — publicado 18/03/2016 15h38, última modificação 18/03/2016 19h02
Equipe econômica manterá o foco no crescimento mesmo diante do cenário político adverso, diz Nelson Barbosa
Gabriel Colombara
Nelson Barbosa

'O potencial do País ainda é o mesmo. Devemos discutir cada uma das questões nos ambientes apropriados e confiar nas instituições, mantendo sempre a civilidade no debate público', disse Barbosa

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou hoje que a equipe econômica manterá o foco no crescimento da economia mesmo diante do cenário político adverso.

"Precisamos ser realistas e pragmáticos para enfrentar os problemas mais urgentes. É possível discutir nossos problemas políticos enquanto discutimos nossos problemas econômicos", afirmou o ministro durante palestra no Diálogos Capitais Fórum Brasil: Como Retomar o Crescimento, promovido por CartaCapital.

Para o ministro, o atual desafio é o diálogo, já que propostas extremas não solucionarão os problemas políticos ou farão com que o Brasil volte a crescer. "O potencial do País ainda é o mesmo. Devemos discutir cada uma das questões nos ambientes apropriados e confiar nas instituições, mantendo sempre a civilidade no debate público", pontuou.

"A maior dificuldade é construir um consenso político em torno de uma estratégia de recuperação. Nenhum problema econômico vai desaparecer num passe de mágica diante de uma solução política extremada."

O ministro falou também sobre a crise de confiança, fator de forte influência no consumo e no investimento, o que alimenta um ciclo de travamento da economia.

"Não devemos ser otimistas exagerados a ponto de ser complacente, mas não podemos ser pessimistas exagerados a ponto de ficarmos paralisados", disse.

Barbosa reforçou a relação que há entre economia e política, principalmente quando o que está em jogo é a confiança dos agentes econômicos. "Num cenário conturbado, a melhora da situação econômica ajudará a política, mas é uma via de mão dupla. A melhora da política também ajudará a econômica. Independente das ideologias e das escolhas de cada um, porque a democracia não precisa ser a concordância, temos que ser capazes de diálogo. Diálogo que todo mundo grita e não ouve não vai levar a lugar nenhum", enfatizou.

Ajuste fiscal

O ministro reforçou a estratégia atual do governo para estimular a economia alongando o perfil da dívida dos estados para manter a liquidez e manter em ordem seus compromissos financeiros, mas lembra que em momentos como o atual o governo federal também precisa dessa liquidez. Trata-se de abrir espaço de gasto no momento, mas com compromisso de controle no futuro. "Não é uma jabuticaba. Todos os países que saíram da crise de 2008 fizeram isso, gastaram mais num primeiro momento é ajustaram depois", afirmou.

Na prática, Barbosa pede flexibilização agora, mas propõe mecanismos de controle e travas no crescimento do gasto público lá na frente. Hoje, mais de 90% das despesas do governo são obrigatórias. É nesse montante obrigatório que o ministro defende mais autonomia para a União.

Mesmo assim, a ideia é criar limites para a expansão do gasto, com cláusulas que suspendam um gasto quando outro sobe mais do que deveria, num sistema semelhante ao sequester norte-americano. "Há muitas oportunidades para o Brasil crescer e devemos ser ousados, mas com responsabilidade."

O ministro falou ainda que, além da agenda macroeconômica, há em curso uma série de medidas que podem atrair investimentos e, sobretudo, gerar emprego e renda. Aí incluídas reformas regulatórias para incentivar leilões de concessão na área de infraestrutura, por exemplo.

Investimento e exportação

O economista e ex-ministro Delfim Neto, presente no debate com Barbosa, falou sobre o que ele chamou de "torque para o investimento": exportações e investimento. Para ele, as exportações brasileiras,após o aumento do dólar, estão melhores do se esperaria considerando o cenário mundial.

No investimento, medidas que deem segurança no longo prazo serão capazes de reacender o desejo do investidor. "E assim que houver crescimento a roda muda de direção. Agora tá todo mundo em pânico, mas precisamos de energia girar. A inércia fará o resto."