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Nomeado assessor de Jobim, Genoíno defende instalação imediata da Comissão da Verdade

por Rede Brasil Atual — publicado 10/03/2011 17h12, última modificação 10/03/2011 18h36
O ex-deputado, torturado na época da ditadura, afirma ter uma "afinidade política" com o titular da pasta, o ministro da Defesa Nelson Jobim. Da Rede Brasil Atual

O ex-deputado, torturado na época da ditadura, diz que abertura da Comissão depende de trâmites institucionais e afirma ter uma "afinidade política" com o titular da pasta, o ministro Nelson Jobim

Por Anselmo Massad

O ex-deputado federal José Genoíno (PT-SP), nomeado assessor do Ministério da Defesa, defende a aprovação imediata do projeto de lei que instala a Comissão de Justiça e Verdade, para analisar crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura. Genoíno teve seu cargo confirmado na edição desta quinta-feira (10) do Diário Oficial da União.

"As questões ainda pendentes (envolvendo a pasta) vão ser tratadas institucionalmente, como, por exemplo, o projeto que tramita na Câmara da Comissão da Verdade", explica. "A aprovação imediata é uma posição de governo, do Jobim, da presidente Dilma (Rousseff), assim como era no governo Lula", garante.

Em entrevista por telefone, ele afirmou ter uma relação de "afinidade política" com o trabalho de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. "É um trabalho correto, de reestruturação, dando formatura e musculatura ao ministério", resume.

Ele promete atender as demandas do ministro e tratar dos temas para os quais for escalado. Com isso, Genoíno deixa claro que não vai à pasta resumir seu trabalho a temas específicos.

O fato de Genoíno ter participado da Guerrilha do Araguaia – motivo pelo qual foi preso e torturado durante o período da repressão – não causa qualquer forma de problema com as Forças Armadas, na visão do ex-deputado. "Minha relação com as Forças Armadas vem de longa data e sempre mantive uma relação institucional", sustenta.

Trajetória política

Após o período da ditadura, Genoíno foi anistiado em 1979 e, em 1982, eleito para a Câmara dos Deputados. Desde então, foi uma referência no Legislativo, com destaque para a interlocução exercida durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988. O conhecimento do regimento interno na Câmara era reconhecido por aliados e adversários.

Na Câmara, esteve na liderança da bancada do PT em 1991 e 1999. Dois temas ganharam destaque em sua atuação parlamenter, Forças Armadas e segurança pública. Ele também teve papel de destaque em comissões parlamentares de inquérito (CPI), como a da Corrupção – que culminou no impeachment de Fernando Collor de Mello da Presidência – e dos Anões do Orçamento – cujo resultado foi a cassação e a renúncia de deputados envolvidos em fraudes no orçamento.

Em 2002, Genoíno concorreu ao governo de São Paulo, quando disputou em segundo turno o cargo com Geraldo Alckmin (PSDB). Apesar da derrota, foi a única vez na história da legenda que um candidato conseguiu levar a votação paulista para esse nível. No ano seguinte, assumiu a presidência nacional do PT, cargo em que permaneceria até 2005.

Envolvido no escândalo do mensalão, sofreu um forte revés em sua carreira política. Apesar de alegar inocência e apontar falta de provas, Genoíno responde a processo que tramita desde 2007 no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi apontado na denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, como um dos cabeças do esquema.

Reconduzido à Câmara em 2006, não alcançou votação suficiente para manter o cargo em 2010. Ele é o segundo suplente da coligação de seu partido, atrás de Vanderlei Siraque (PT-SP).