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No sexto dia de revolta, rebeldes tomam o leste da Líbia

por Redação Carta Capital — publicado 23/02/2011 17h04, última modificação 24/02/2011 09h24
A repressão violenta às manifestações em Tripoli continua; estimativa do número de mortos no massacre ordenado por Kadafi varia de 300 até 10 mil civis. Da Redação

No sexto dia de revolta popular na Líbia contra o regime de Muammar Kadafi, rebeldes tomaram o leste do país  e a repressão violenta aos manifestantes continuou nas ruas da capital Tripoli. Os números de mortos variam de acordo com a fonte, já que a entrada de jornalistas e observadores internacionais está praticamente impossível.

O governo líbio afirma que não passam de 300. ONGs da região estimam que são mais de 700. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, fez um pronunciamento nesta quarta-feira 23 à Câmara Baixa do Parlamento sobre a situação. Segundo ele, o massacre ordenado por Kadafi já custou mais de mil vidas civis. O jornal italiano La Republicca fala em 10 mil mortos e 50 mil feridos, citando a rede de televisão Al Arabyia como fonte.

Relatos publicados pelo The New York Times dão conta de que grupos rebeldes já tomaram a parte leste do país. Enquanto Kadafi e seu filho seguem prometendo "rios de sangue" e acusando os manifestantes de serem subordinados a grupos terroristas, mais militares desertam das forças armadas, recusando-se a cumprir a ordem de atacar o próprio povo.

Na tarde de ontem, confirmou-se a informação de que dois pilotos da Força Aérea desviaram suas rotas para Malta e desertaram na ilha do Mediterrâneo. No início da noite, um navio de guerra também foi interceptado na região. O capitão afirmou às autoridades maltesas que tinha ordens para bombardear cidades no litoral líbio, mas resolveu abandonar o posto.

Durante a tarde de hoje, foi divulgada pela agência France Presse a informação de que o piloto de um caça ejetou durante o voo após receber a ordem de atacar a cidade de Bengazi.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também se pronunciou sobre a questão líbia nesta quarta-feira. Ele afirmou que Kadafi precisa "respeitar a vontade do povo" e condenou a violência na repressão às manifestações. Ahmadinejad, que já reprimiu com violência manifestações contra o regime e durante as eleições em que foi reconduzido ao cargo, declarou que "se eles governam as nações, precisam ouvir o que as nações querem e ficar ao lado delas".

Kadafi avisou em pronunciamento ontem que não deixará o poder na Líbia. O coronel, que liderou um golpe em 1969 e tomou a liderança do país, foi à televisão estatal e ameaçou os manifestantes com o uso de mais força, dizendo que limparia o país "casa por casa".

O Itamaraty anunciou hoje que negocia o envio de embarcações para retirar 183 brasileiros que estão na Líbia. O plano é retirá-los de Bengazi utilizando um navio que partiria da Grécia. Os brasileiros são funcionários da construtora Queiroz-Galvão.

O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, reafirmou sua lealdade ao regime de Kadafi. Diversos outros representantes diplomáticos líbios pelo mundo já abandonaram os postos, incluindo os embaixadores nos Estados Unidos, o representante na União Europeia e o representante nas Nações Unidas.

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