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Política

Eleições 2014

No penúltimo debate, Dilma parte para o ataque

por Redação — publicado 29/09/2014 01h02, última modificação 29/09/2014 01h30
Alvo de opositores, presidenta acusou Marina de ter votado contra a CPMF e partido do Aécio de vender parte da Petrobras "a preço de banana"
Ichiro Guerra/ Dilma 13
Debate na Record

Debate na Record

Botão Eleições 2014No penúltimo encontro entre os candidatos à Presidência da República, a presidenta Dilma Rousseff partiu para o ataque contra seus adversários. Alvo de críticas por conta de sua gestão no Planalto, como já era esperado para o debate, a candidata à reeleição pelo PT não se furtou de ser combativa no encontro promovido pela TV Record neste domingo 28.

Ao desenterrar um discurso de Aécio Neves (PSDB) de 1997, quando ele ainda era deputado federal, Dilma lembrou da fala na qual o tucano defendia a privatização da Petrobras. “Em seu discurso na Câmara em março de 1997, o senhor falou em privatizar a Petrobras. Quais as privatizações que estão no radar?”, questionou a presidenta.

Aécio negou a intenção de privatizar a estatal hoje, mas disse ter planos para o futuro da empresa. “Eu tenho sido claro: nós não vamos privatizá-la, mas vou reestatizá-la. Vamos tomar das mãos desse grupo político que tomou a empresa e está fazendo negócios com ela há 12 anos”, afirmou. “É vergonhoso. As denúncias não cessam. E não há um sentimento de indignação por parte da senhora. Esta indignação que está faltando”. Ao que a presidenta respondeu: “Eu registro que os senhores foram sempre favoráveis a uma relação com a Petrobras de privatização. É eleitoreiro dizer que vai reestatizar. Tentaram tirar o nome “Bras” para vender mais fácil no exterior. Venderam parte dela a preço de banana”.

Logo no início do debate, Dilma escolheu a ex-senadora e ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PSB) para perguntar: “Candidata, a senhora mudou de partido quatro vezes nesses três anos. Mudou de posição em temas como CLT, homofobia e pré-sal. Qual foi mesmo o seu voto como senadora na questão da CPMF?”.

A ex-PT e PV se irritou com a pergunta e disse: “Mudei de partido para não mudar de ideais. Naquela oportunidade, tanto na comissão quanto no plenário voltei favorável, sim. Eu e o senador Eduardo Suplicy. Eu não faço oposição por oposição, sei o que é melhor para o Brasil”. A resposta de Marina foi automaticamente contestada por Dilma: “Não entendo como pode esquecer que votou quatro vezes contra a criação da CPMF. Atitudes como essa produzem inseguranças. Governar o Brasil requer firmeza”.

Depois de dizer que lembrava-se de ter votado a favor, a candidata pelo PSB criticou a política de biocombustíveis do governo atual e falou em 70 usinas fechadas, 40 em recuperação e 60 mil empregos perdidos. “A política de etanol do meu governo é baseada naquilo que você é contra: subsídio. Temos isso através de desoneramento. E temos um conjunto de medidas para reforçar o setor de etanol”, disse Dilma.

Ao responder sobre criminalidade, Dilma elogiou a integração das polícias durante a Copa do Mundo, apesar de as forças de segurança terem ficado marcadas pela dura repressão aos manifestantes durante o Mundial.

Ao longo do primeiro bloco, Dilma pediu quatro vezes direito de resposta, sendo um quando Marina Silva citou seu governo ao questionar Aécio Neves sobre política energética e outro em resposta ao Pastor Everaldo (PSC), que criticava a política econômica do governo. A televisão negou três dos quatro pedidos. Nos 30 segundos que lhe foram concedidos, Dilma disse que demitiu o ex-diretor de abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa, e que a Polícia Federal do seu próprio governo o investigou. Aécio Neves, no entanto, lembrou que a Polícia Federal tem prerrogativas para isso e não precisa da ordem do chefe do Poder Executivo para fazê-lo.

Marina Silva também requereu um pedido de resposta após Eduardo Jorge dizer que a ex-ministra do Meio Ambiente havia saído do PV em uma disputa de poder pela direção do partido. A Rede Record negou o pedido da candidata.

Em alguns momentos, Aécio Neves e Marina Silva pareciam dispostos a se unir contra Dilma no debate, especialmente quando o tema era energia. Depois de Marina criticar o excesso de improviso, a falta de planejamento e o gasto de bilhões com termoelétricas, o candidato pelo PSDB disse: “Candidata Marina, nós concordamos com a senhora na necessidade de diversificação da matriz energética”. Aécio, entretanto, procurou se diferenciar da candidata do PSB ao lembrar o passado petista de Marina.

Levy Fidelix chocou ao falar contra homossexuaisFoi o candidato do PRTB, Levy Fidelix, no entanto, o protagonista de um dos momentos mais polêmicos do debate. Ao falar sobre união entre homossexuais, Levy Fidelix disse que “aparelho excretor não reproduz” e que é necessário “enfrentar” essa minoria. O candidato do PRTB fez uma série de afirmações homofóbicas ao responder questão da candidata do PSOL, Luciana Genro. Ele disse que “dois iguais não se reproduzem” e que o Brasil diminuiria de tamanho caso essa prática fosse "estimulado".

Levy Fidelix criticou ainda a falta de estrutura das Forças Armadas brasileiras e acusou o governo federal de deixar o território desprotegido em meio a “ameaças” como o narcotráfico, “países bolivarianos” e “guerrilhas”.

Em resposta a Levy Fidelix, o Pastor Everaldo disse ainda que pretende dar maiores condições para as Forças Armadas, além de colocar “um oficial de alta patente como ministro da Defesa”.

Candidato à Presidência pelo PV, Eduardo Jorge teceu duras críticas ao programa Mais Médicos, do governo federal, ao reclamar da falta de formação de médicos no País e comparar as condições de trabalho dos médicos cubanos a “semi-escravidão”. Ele também lembrou que o PT foi a favor do fim da CPMF. Jorge criticou ainda as semelhanças entre as propostas do PSB, PT e PSDB. “Sinceramente, tem que olhar com uma lupa para conseguir ver a diferença”.