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No drible das denúncias

por Soraya Aggege — publicado 28/10/2011 09h25, última modificação 28/10/2011 16h24
Considerado mais articulado que o antecessor, o novo ministro promete cancelar os contratos com ONGs e afastar assessores
aldo rebelo

O ministro Aldo Rebelo. Foto: Agência Brasil

"Como ministro não pretendo fazer convênios com ONGs”, anunciou
o novo titular do Esporte, Aldo Rebelo, em sua primeira entrevista coletiva
no cargo. O político do PCdoB prometeu promover mudanças
na equipe ministerial, já que assessores próximos ao antecessor, Orlando Silva, estão envolvidos nas denúncias.
Da mesma forma, garantiu manter independência na relação com a Federação Internacional de Futebol (Fifa), com quem tratará dos detalhes da organização da Copa do Mundo de 2014.

Rebelo tem sido muito criticado por ambientalistas e grupos de esquerda, por causa de seu desempenho no Código Florestal. Ao mesmo tempo, a cada dia é mais elogiado por figuras alinhadas à direita, como a senadora Kátia Abreu (PSD), que não disfarçou a felicidade com a nomeação do parlamentar para o Ministério do Esporte.

Na avaliação do Palácio do Planalto, com a nomeação de Rebelo o governo de Dilma Rousseff resolve vários problemas. Um deles é a manutenção do tripé de sustentação de sua base aliada, pois o PCdoB é o mais antigo aliado do PT. Ele teria também mais experiência e condições para driblar os desgastes políticos com as denúncias de irregularidades no Ministério do Esporte. E Dilma também ganha um articulador político habilidoso, experiente e com bom trânsito no Congresso, especialmente no contato com o PMDB, partido que o abrigou quando o PCdoB estava na clandestinidade durante a ditadura.

O novo ministro foi presidente da Câmara dos Deputados, titular da pasta da Coordenação Política (equivalente à atual Secretaria de Relações Institucionais)
e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 2000 e 2001. E foi a própria CBF que divulgou nota na quinta-feira 27, com palavras
de apoio de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local do Mundial).

“Em nome do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo da Fifa, parabenizo
o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e desejo boa sorte em sua nova missão. Que o ministro conte sempre com a nossa colaboração e saiba que
as portas do Comitê estarão sempre abertas”, saudou Teixeira.

Apesar de demonstrar preferência pelo ex-deputado federal e atual presidente da Embratur, Fávio Dino (PTdoB-MA), a presidenta Dilma afirmou à direção do PCdoB que não vetaria nenhuma outra opção do partido. Rebelo contou com o apoio da bancada. Em seu sexto mandato na Câmara, ele acabou de ser preterido nos apoios para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Teve o apoio dos ruralistas, mas, na disputa, a indicada foi Ana Arraes (PSB-PE), preferida do ex-presidente Lula e mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mais influente a cada articulação.

A saída de Orlando Silva estava clara para o Planalto desde a quarta-feira 19. Havia um consenso no governo de que o ministro não tinha mais condições de seguir no cargo. A ausência de Silva no anúncio das sedes da Copa de 2014 foi o maior sintoma de fragilidade. Além disso, a Presidência estaria preocupada com as irregularidades no Programa Segundo Tempo verificadas pela CGU. A ideia inicial do governo era aguardar o parecer da Controladoria-Geral da União, que passa um pente-fino nos contratos do ministério, para afastar
o ministro em um ambiente mais tranquilo e sem pressões externas.

A presidenta decidiu não agir segundo as pressões da mídia
e resolveu dar mais prazo para que Silva tentasse mudar sua situação
e consolidasse uma defesa mais convincente sobre as irregularidades no Segundo Tempo, propondo-lhe uma pauta positiva no Congresso. Mas a crise não arrefeceu.

Na manhã da quarta 26, Silva e integrantes da cúpula do PCdoB encontraram-se no Palácio do Planalto com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Ficou acertado que o titular do Esporte entregaria
o cargo no mesmo dia.

A informação publicada na sexta-feira 21 pelo jornal O Estado de S. Paulo de que até a mulher do ministro, a atriz Ana Cristina Lemos Petta, teria recebido dinheiro do ministério, deixou Dilma particularmente irritada, afirmaram fontes do Palácio. A posição divergente entre o Palácio do Planalto e Aldo na votação do Código Florestal chegou a ser colocada como empecilho para a indicação do parlamentar como novo ministro do Esporte. Prevaleceu, porém,
a indicação do PCdoB.