Você está aqui: Página Inicial / Política / 'Ninguém discutirá se candidato é gay'

Política

Gestão pública

'Ninguém discutirá se candidato é gay'

por Gabriel Bonis publicado 18/07/2011 19h30, última modificação 19/07/2011 09h39
Segundo Oded Grajew, idealizador do Fórum Social Mundial, projeto de avaliação e controle da gestão pública em todo o País vai pautar debate nas próximas eleições
Oded

O empresário Oded Grajew, um dos participantes do Movimento Nossa São Paulo

Com a intenção de criar um instrumento de controle e avaliação dos governos federais, estaduais e municipais pela sociedade civil, foi registrada na Câmara dos Deputados, na última semana, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 52/2011. A iniciativa, de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e da Rede Nossa São Paulo – instituição composta por 600 organizações civis -, pede que o presidente, governadores e prefeitos de todo o Brasil sejam obrigados a ter um Programa de Metas para os quatro anos de mandato, incluindo propostas da campanha eleitoral.

“Esse projeto vai mudar o processo eleitoral e as eleições vão se tornar mais responsáveis”, afirma o presidente do Instituto Ethos e integrante da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew. “As pessoas e os jornalistas vão passar a questionar os candidatos sobre as metas que não foram cumpridas nas gestões ao invés de discutir se o candidato é gay”, dispara.

De acordo com a proposta, que segue o exemplo de São Paulo e outros 24 municípios brasileiros onde o plano de metas já funciona, os candidatos eleitos teriam que declarar à sociedade civil e ao Poder Legislativo, em até 90 dias após a posse, suas metas de governo. O processo incluiria a discriminação de ações estratégicas, indicadores de desempenho e as metas qualitativas e quantitativas para cada setor da administração pública.

No decorrer do ano, até o dia 31 dos meses de abril, agosto e dezembro, relatórios de desempenho da execução das metas seriam liberados para a sociedade avaliar o andamento da gestão.

Uma medida que, para Oded, ajuda a criar uma cultura política no País. Segundo ele, a PEC conta com o apoio da base do governo e do PSDB. “O que vai acontecer na Câmara [aprovação] depende muito da pressão popular”, afirma.

Experiência paulistana

Em São Paulo, o plano de metas é adotado desde 31 de março de 2009, na gestão de Gilberto Kassab. Segundo um levantamento da Rede Nossa São Paulo, o governo do atual prefeito cumpriu apenas 24 das 223 metas estabelecidas. “Kassab achava que o processo de adaptação da população ia ser lento e não deu bola, agora corre atrás”, diz Grajew. “Nas próximas eleições, os candidatos vão ser mais realistas, mas também não podem ser muito tímidos ou não vão ganhar”.

registrado em: