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Política

Neto de Arraes ou de Tancredo?

por Mauricio Dias publicado 13/10/2012 11h19, última modificação 14/10/2012 20h35
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Água e óleo. O MDB de Miguel Arraes não era o mesmo de Tancredo Neves. Fotos: Aquivo/PSB e Arquivo/AE

Eduardo Campos, governador de Pernambuco, é o maior vencedor das eleições municipais de 2012, como CartaCapital anunciou em corajosa antecipação. Os resultados alcançados pelo Partido Socialista Brasileiro sustentaram, posteriormente, essa afirmação.

Pelos números do primeiro turno, os, vá lá, socialistas, considerando o número de prefeituras, cresceram quase 40% em relação ao desempenho em 2008. Foi o bastante para que a oposição, como sempre abraçada à mídia conservadora, continuasse a cavar o fosso com o qual tenta afastar Campos do governo Dilma, de Lula, do PT. Isso ocorrerá inevitavelmente mais à frente. Nunca antes de 2014, se a história seguir o curso e os acordos traçados.

O governador de Pernambuco tem um compromisso com Lula, não com o PT, até 2014, incluída a eleição presidencial. Os planos concretos dele são para 2018, salvo emergência de última hora. Os conflitos municipais, assim, serão superados pelas duas agremiações.

É natural que briguem por mais espaço. Ficou claro na eleição que o PT não quer dar ao PSB o direito de crescer. E se deu mal com isso.

No Recife, o PSB surrou o PT e ganhou a eleição no primeiro turno. Vitória importante. Mais emblemática do que política. No geral, o desempenho do PSB foi muito bom. Partiu, no entanto, de um ponto muito baixo. Em termos de vereadores eleitos, os números do partido ainda são modestos. Nesse ranking, ocupa somente o sexto lugar, com cerca de 6% de um universo de quase 60 mil no País. Mas haverá, em 2016, uma eleição municipal antes da presidencial de 2018. Será uma oportunidade para o PSB ganhar musculatura para voos mais altos.

Que caminho o PSB seguirá no pós-lulismo? Excetuadas as coligações locais, o partido namora aliados ao centro e à direita. Trata a esquerda com descaso. Campos, na prática, tem se mostrado conciliador. A pretensão de evitar conflitos é o mote dele. Ora afaga FHC, ora elogia Dilma. Enaltece a liderança de Aécio Neves e manifesta “respeito” a Lula. Agora anuncia que buscará alianças com o PSDB, para acabar com o duelo político de quase 20 anos entre Lula e FHC.

Ele é neto de Miguel Arraes ou de Tancredo Neves? É bom lembrar que Arraes, avô de Eduardo, e Tancredo, avô de Aécio, não eram vinho da mesma pipa. Não conseguiram conviver politicamente sob o mesmo teto. Ou seja, no velho e aguerrido MDB que lutava contra a ditadura equilibrando-se entre “autênticos” (Arraes) e “moderados” (Tancredo).

É famosa, e definitiva, a retumbante frase de Tancredo que marcou o afastamento entre eles: “O meu MDB não é o MDB de Arraes”. Tancredo saiu e fundou um partido político. Posteriormente, ingressou no PMDB. Nessa espécie de MDB “descafeinado” construiu o caminho até a Presidência sob o princípio da conciliação: um arco político de A a Z.
Esse é o caminho que torna impossíveis mudanças mais profundas. Ou seja, as transformações que produzem mudanças para tudo ficar a mesma coisa.

Os dois mandatos de Lula e o governo Dilma enfrentam esse problema. O arco político também é amplo. Apoiados pelo PT, um partido numericamente forte, conseguiram, no entanto, driblar parcialmente esse obstáculo e se diferenciaram pelo forte viés social. Assim, a duras penas, abriram o caminho do crescimento com distribuição.

Os incluídos não aceitarão um retrocesso e nenhum governo poderá voltar ao que havia antes. Um país que não crescia, não distribuía e atendia apenas um terço da população.

Andante Mosso

Deduzo, logo puno
Para sustentar a condenação de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil de Lula, a ministra  Cármen Lúcia apoiou-se em várias ilações. Em uma delas, louvou-se nesta dedução: Marcos Valério, “desconhecido publicitário mineiro”, não teria condições de alavancar empréstimos junto aos bancos.

Só que... O “desconhecido publicitário mineiro” tinha trânsito junto às instituições  financeiras desde o chamado “mensalão tucano”, em 1998. Anos antes, portanto, do explosivo “mensalão” do PT.

Sinuca de bico
O despropositado voto do ministro Marco Aurélio Mello levou-o a concluir que a delação de  Roberto Jefferson prestou serviços à pátria. Com isso, por inferência, condenou todas as  políticas dos governos Lula.

Gilmar Mendes, Rosa Weber e Joaquim Barbosa argumentaram, rapidamente, que a ilicitude da motivação dos votos “vendidos” não se transfere para o “produto”, segundo Barbosa. Isto é, leis aprovadas no Congresso naquele período.

Mas o ministro Ricardo Lewandowski anotou, judiciosamente, a praxe do STF de desfazer o que resulta de fraude.

Anjos da guarda
Por decisão do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito, a Agência Brasileira de Informações (Abin) passou a guarnecer o ministro Joaquim Barbosa.

A proteção não foi requerida pelo novo presidente do STF. Já que a neurose baixou, não seria o caso de fazer o mesmo com o ministro Lewandowski?

Há tresloucados a torto e a direito.

Amigos fardados
Os ministros militares (10), votando em interesse próprio, contra o voto de todos os ministros civis (5), instituíram que, ao se aposentarem do Superior Tribunal Militar, terão direito a receber 4 salários brutos. Um pouco mais de 100 mil reais.

O valor, retroativo a 2011, beneficiará também ministros militares aposentados. A decisão cheira a ilegalidade e abre um buraco nos cofres públicos superior a 1 milhão de reais,  consideradas as aposentadorias de 2011 e 2012.

2º turno tucano
A repórter de O Globo pergunta: “... Dilma vai entrar nas disputas em Salvador, São Paulo. O senhor vai também?” Aécio Neves se esconde: “Já estive em vários lugares, em Salvador, e devo voltar”.

E em São Paulo?

Atletismo eleitoral
Candidato a prefeito de Teresina (PI), a derrota do senador Wellington Dias (PT) mostra a maratona eleitoral, de sucesso e fracasso, que ele disputou nos últimos 20 anos:

Em 1992, eleito vereador; 1994, deputado estadual; 1996, perdeu como candidato
a vice-prefeito; 1998, deputado federal; 2000, derrotado para a prefeitura; 2002, venceu para o governo estadual; 2006, reeleito; 2010, eleito senador; 2012, derrotado para a  prefeitura.

Em 20 anos disputou nove eleições. Ufa!

Palmas para ele
Alguma coisa aconteceu na eleição em Palmas (TO). O reduto de Siqueira Campos (quatro vezes governador), da senadora agropecuarista Kátia Abreu (PSD/Ex-DEM); do senador peemedebista Marcelo Miranda (duas vezes governador) e do prefeito Raul Filho (eleito pelo PT e expulso do partido em 2011) caiu diante de um político iniciante e ousado.

Carlos Amastha, empresário colombiano, venceu com 49,7% dos votos.

Dono de uma fortuna calculada em 200 milhões de reais, ele anunciou que doará o salário de  refeito (19 mil reais) para instituições sociais.

STM: Amigo da Corte
Em sessão administrativa, em 5 de setembro, no Superior Tribunal Militar (STM), com 9 votos dos ministros militares, decidiu-se remover um juiz “amigo da Corte”, expressão que carimbou a decisão, para a 2ª Auditoria da 11ª Circunscrição da Justiça Militar, em Brasília. Um magistrado ausente, por anos, do Juízo dele, em Manaus. Ele foi juiz auxiliar da presidência na gestão passada.

Um dos juízes preteridos, bem mais antigo, ingressou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com pedido de providências. O relator José Guilherme Vasi Werner, de pronto, determinou ao STM informações sobre o assunto.

Os votos dos juízes militares (processo/CNJ/0005726-62.2012.2.00.0000) indicariam um claro “apadrinhamento político” do indicado.

No bojo desse compadrio o lodo sempre vem à tona. A decisão tomada teria levado em conta  que um dos postulantes, mais antigo nos quadros, se removido, contestaria imediatamente o contrato de aluguel dos prédios das auditorias militares, com valor mensal de 343 mil reais.

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