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Política

Julgamento do 'mensalão'

'Não me deixarei abater', diz Dirceu

por Redação Carta Capital — publicado 09/10/2012 20h33, última modificação 10/10/2012 09h59
Condenado por corrupção ativa, o ex-ministro da Casa Civil diz que o Supremo votou sob pressão da imprensa
José Dirceu12

O ex-ministro José Dirceu, condenado pelo STF por corrupção ativa. Foto: Masao Goto Filho/E-sim

Condenado por corrupção ativa no processo do “mensalão”, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou, nesta terça-feira 9, que vai acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal, mas prometeu “lutar” até provar sua inocência. “Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.”

A mensagem foi postada em seu site cerca de uma hora após o ministro do STF Marco Aurélio Mello considerar que o ex-ministro do governo Lula era responsável por “homologar” os acordos para cooptar o apoio de aliados ao Planalto. (leia mais )

Foi o sexto voto em favor da condenação, contra apenas dois pela absolvição (apresentados pelo revisor, Ricardo Lewandowski, e pelo ministro Antonio Dias Toffoli).

Para Dirceu, o Suprema votou “sob forte pressão da imprensa” ao condená-lo como corruptor, tomando assim uma decisão contrária, segundo ele, do que consta dos autos do processo.

“O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.”

Dirceu disse que foi transformado em inimigo público número 1 a partir da cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados, em dezembro de 2005, graças a uma “ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo".

“Me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha. Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência”, escreveu.

Leia a abaixo íntegra do documento:

Ao povo brasileiro

No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.

Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.

Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu

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Os personagens:

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