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Política

Entrevista - CartaCapital

Não desistimos do Arco do Futuro, diz Haddad

por Redação — publicado 19/08/2013 19h13, última modificação 19/08/2013 20h11
Segundo o prefeito de SP, apenas uma parte da obra, na marginal Tietê, foi readequada após consultas a especialistas e moradores da região
Paulo Pinto / PMSP
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Sergio Lirio (redator-chefe de CartaCapital), Mino Carta (diretor de redação) e o prefeito Fernando Haddad durante a entrevista

Em entrevista a CartaCapital, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira 19 que não desistiu do projeto Arco do Futuro, uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral. Segundo ele, apenas uma parte das obras – uma via de apoio ao norte da marginal Tietê – foi reavaliada pelo governo após consultas a especialistas e moradores da região. “O projeto continua. Estou readequando a obra viária àquilo que recebemos como demanda”, assegurou.

A obra é um dos pilares do projeto e foi considerado inviável pela secretária municipal de Planejamento, Leda Paulani devido ao alto custo da intervenção.

De acordo com o prefeito, a ideia inicial era que fosse construída na região uma avenida tradicional, nos moldes da Faria Lima. A obra foi repensada. No lugar, deve ser priorizado o transporte coletivo de massa, com o uso de equipamentos como o veículo leve sobre trilhos. “Hoje colocamos a minuta da lei no projeto do Plano Diretor”, explicou.

Reformas. Haddad afirmou, na entrevista, que os protestos de junho, iniciados na capital paulista e que se espalharam pelo País, serviram de incentivo para as reformas encaminhadas pela prefeitura, caso do Plano Diretor e das mudanças no currículo escolar. Entre as mudanças está a extinção da aprovação automática, com chance de reprovação em cinco dos nove anos do ciclo, e da obrigatoriedade das provas bimestrais. Em relações aos questionamentos recebidos pelo projeto, o prefeito questionou se os críticos teriam coragem de colocar os filhos em escolas nas quais a aprovação é automática. Disse querer levar para o sistema público o mesmo modelo utilizado no sistema privado e afirmou que ficaria frustrado se os filhos chegassem ao nono ano do ensino fundamental sem capacidade para ler ou escrever.

Sobre as obras da Copa do Mundo, o prefeito declarou que São Paulo não vai ficar sem um legado à população. Citou a construção das alças da avenida Jacu-Pêssego, a universidade federal da zona leste, o centro cultural de Itaquera e outros programas de mobilidade urbana. “O legado da Copa, em São Paulo, não vai ser só um estádio e os seis jogos. Hoje, por exemplo, encaminhamos pra Câmara a lei de incentivo pra levar emprego à periferia.”

Na entrevista, o prefeito comparou o trabalho à frente da prefeitura com o período em que foi ministro da Educação. Ele disse que não teria assumido o desafio se não fosse o convite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem havia na capital um espaço para a renovação. “Na prefeitura, o trabalho é diferente porque você assume a linha de frente. A adrenalina é maior, a tensão é maior. Não é que os problemas de São Paulo sejam maiores. Os problemas da Educação também são grandes. Mas a urgência e a proximidade com as questões da cidade são maiores.” E completou: “No ministério, você fica na retaguarda do presidente. Aqui os problemas estão mais próximos de mim e eu represento o governo. E São Paulo é uma cidade difícil, muito dividida”.

Segundo o prefeito, o maior desafio na prefeitura é na área da Saúde. “O profissional encontrar o paciente é a coisa mais difícil de acontecer”, disse. A dificuldade, de acordo com ele, é avaliar a demanda pelo serviço em uma cidade como São Paulo. “Muitos vão a consultas e não recolhem os exames. Cerca de 30% dos resultados não são sequer retirados, ficam só armazenados. Há um absenteísmo grande dos usuários e dos profissionais e uma carência de profissionais na área periférica. Por isso o Programa Mais Médicos, da presidenta Dilma, é essencial. Não temos um número de médicos suficientes no País”.

E comparou: “Na Educação, você tem o ano letivo. O aluno e o professor têm hora pra entrar e pra sair. Na Saúde, você não tem a capacidade de precisar a demanda. Uma queda na temperatura, ou uma epidemia, muda tudo. Não é um sistema fácil de ser gerido”.

 

*Confira a íntegra da entrevista amanhã no site de CartaCapital