Você está aqui: Página Inicial / Política / Não é hora de anunciar ministros, diz Dilma na TV

Política

Eleições 2014

Não é hora de anunciar ministros, diz Dilma na TV

por Record — publicado 27/10/2014 22h21, última modificação 27/10/2014 22h45
Em entrevistas ao vivo para a Record e a Globo, presidenta recusa-se a falar em nomes e diz que medidas econômicas serão anunciadas após diálogo com a sociedade
Reprodução/Record
Dilma dá entrevista na Record um dia depois de ser eleita

Dilma: “No tempo exato eu darei o nome e o perfil de todos os meus ministros".

Botão Eleições 2014Duas entrevistas ao vivo, direto do Alvorada, marcaram a agenda da presidenta Dilma Rousseff um dia após sair vencedora da eleição que a reelegeu. Nos principais jornais noturnos da Record e da Globo, nesta segunda-feira, 27, a petista recusou-se a dar nomes de seus futuros ministros ou a responder sobre aqueles sobre os quais tem se especulado na imprensa. A revelação, contudo, virá entre os meses de novembro e dezembro.

“Não é a hora nem o momento de discutir [os nomes dos ministros]”, afirmou, na primeira entrevista da noite, para Adriana Araújo, da Record. “No tempo exato eu darei o nome e o perfil de todos os meus ministros. E não vou discutir cada ministro, vou discutir meu ministério. Estou com muita tranquilidade. Não tenho o menor interesse em discutir isso agora.”

Sobre os nomes que têm sido aventados, Dilma foi direta: “Não tente especular que eu não direi. Estou no dia depois da eleição. Você há de convir que a hora é de arregaçar as mangas e ver a melhor forma de conduzir o País”.

Mais tarde, na Globo, deu resposta similar a William Bonner e Patricia Poeta. “Eu externei ontem que não iria esperar a conclusão do primeiro mandato para iniciar todas as ações que vão no sentido de transformar e melhorar o crescimento da economia. O que vou praticar é dialogar com todos os segmentos, com os setores empresarial, financeiro, com o mercado e com quem é de fora do mercado, para discutir quais são os caminhos do Brasil”, afirmou. “Pretendo colocar de forma muito clara quais são as medidas que eu vou tomar, mas isso não será hoje. Será antes do final do ano, a partir do mês que se inicia na próxima semana.”

Na noite de uma segunda-feira em que o noticiário foi dominado por assuntos econômicos, com a Bolsa caiu 2,77% e o dólar que atingiu seu maior índice desde 2008, por exemplo, Adriana Araújo, da Record perguntou à presidenta quais seriam as medidas que tomariam para acalmar o mercado.

“As bolsas americanas caíram, as bolsas europeias caíram. O mundo enfrenta hoje muitas dificuldades”, afirmou Dilma. “Mas é verdade que aqui no Brasil caiu mais. As mudanças [que fará] serão objeto de um amplo diálogo com todos os setores. Não se trata de fazer uma lista de medidas aqui, como se eu chegasse e fizesse uma proposta. Não acho esse o caminho correto. O caminho correto é a abertura para o diálogo. Temos que esperar mercado se acalmar. E ele vai se acalmar”.

A presidenta descartou a necessidade de criar um “choque de credibilidade” como ficou conhecida uma série de medidas aplicadas pelo ex-presidente Lula em 2003. “A situação é completamente diferente. Quando Lula em 2002 foi eleito e tomou posse em 2003, tínhamos uma taxa de desemprego de mais de 11 milhões de pessoas, o salário vinha em trajetória de queda. Hoje, nossa situação é de elevar o emprego e se salários com ganhos reais. Acredito que temos que tomar, sim, algumas medidas, mas elas não são daquele tipo.”

A repórter da Record chegou a perguntar se o recado de Dilma para o eleitor médio seria o de que 2015 seria um ano muito difícil e que seria melhor diminuir o consumo e poupar. “Desculpe, mas não vou falar para o brasileiro diminuir o seu consumo. Ele está empregado e ganha seu salário, teve ganhos reais de salário. Minha mensagem é de calma e tranquilidade. O Brasil vai estar melhor.”

Em ambas as entrevistas, a presidenta Dilma Rousseff voltou a dizer que o recado que ouviu do resultado do segundo turno é o de que o brasileiro tem desejo por mudanças e transformações. “A grande palavra neste momento é diálogo. É importante dialogar com todas as forças sociais, os segmentos industriais, da agricultura, financeiros, de serviços. Temos de assegurar que teremos um País mais moderno, mais inclusivo, mais produtivo e que tenha como base valores fundamentais. Por exemplo: dar oportunidade para todos é um valor moral e ético. Outro é o combate sem tréguas da corrupção. Não é possível que o País mantenha a impunidade”, afirmou à Globo.