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Na mira da Justiça

por Redação Carta Capital — publicado 27/03/2012 19h04, última modificação 06/06/2015 18h14
Após reunião, senador diz que Roberto Gurgel pedirá informações sobre operação da PF que mostra envolvimento de Demóstenes com bicheiro
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O senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Foto: Antonio Cruz/ABr

Por Beatriz Mendes

 

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirmou nesta terça-feira 27 que a Procuradoria Geral da República deve encaminhar à Justiça “nas próximas” horas um pedido de abertura de inquérito sobre o esquema do jogo do bicho comandado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na semana passada, CartaCapital revelou que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino comandado pelo bicheiro – e que movimentou, em seis anos, 170 milhões de reais (Leia mais ).

A reportagem, assinada por Leandro Fortes, mostrou que a Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro com o senador e que o esquema jamais foi encerrado porque os policiais responsáveis pela investigação foram cooptados pelo esquema. Demóstenes nega.

Cachoeira está preso desde o final de fevereiro pela Operação Monte Carlo, da PF, que investiga um esquema de exploração de máquinas caça-níqueis.

Já o senador, que tem foro privilegiado, só pode ser investigado no âmbito do Supremo Tribunal Federal – e cabe ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedir a abertura de inquérito.

O esquema de jogos clandestinos comandando por Cachoeira é investigado pela Procuradoria desde 2009.

Nesta terça-feira 27, Gurgel se reuniu com uma frente parlamentar que cobrava providências sobre o caso.

Após o encontro, Randolfe Rodrigues, um dos líderes do grupo, afirmou ter “sentido” que o pedido de abertura de inquérito deve ser encaminhado pelo procurador “nas próximas horas”. Ele não citou Demóstenes, mas ponderou: “Obviamente (serão citados) os membros do Congresso Nacional que têm envolvimento com a operação.”

Conforme relatou Rodrigues, o procurador-geral da República se comprometeu a pedir informação sobre os autos da Operação Monte Carlo e os nomes dos parlamentares envolvidos. A partir de então é que será possível examinar as possível providências no STF - como uma eventual denúncia de parlamentares.

Sobre a situação do colega do DEM, que no mesmo dia renunciou ao cargo de líder do partido no Senado e corre o risco agora de ser expulso da legenda (leia mais ), Randolfe Rodrigues disse que a chance de haver em breve um pedido de cassação existe. “Acho que, diante da representação da PGR, se tornará inevitável as providências por parte do Senado.”

O senador disse ter entrado “cético” na audiência, mas que saiu de lá “satisfeito em relação às providências a serem tomadas”. Sobre a demora nas investigações, o senador explicou: “Roberto Gurgel explicou que não tomou providências antes porque as denúncias ainda estavam em curso. Veja bem, em 2009 existia uma operação da Polícia Federal e a agora é outra, apesar de as duas terem o mesmo protagonista, que é o Carlos Cachoeira.”

Diante das evidências, o corregedor do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB), enviou a Gurgel uma solicitação para ter acesso a relatório da Polícia Federal que supostamente registra conversas entre Demóstenes e Cachoeira.