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Na marca do pênalti

por Rodrigo Martins e Soraya Aggege — publicado 20/10/2011 11h00, última modificação 21/10/2011 09h42
Talvez Orlando Silva não resista à crise, mas o PCdoB espera que o governo não lhe tire o ministério

De pouco adiantou o esforço de Orlando Silva para rebater as denúncias de corrupção no Congresso e oferecer a quebra voluntária dos seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. Mesmo depois de sua defesa em depoimentos na Câmara e no Senado, a crise não arrefeceu e o ministro do Esporte mantém-se sobre a corda bamba, prestes a escorregar. Ele próprio parece antever sua demissão em entrevista a CartaCapital (pág. 26): “Mais importante que ser ministro é poder andar de cabeça erguida”. Até o fim da noite da quinta-feira 20, o Palácio do Planalto só tinha duas certezas: o cargo seria mantido nas mãos do PCdoB e a substituição de Silva poderia ocorrer com base em irregularidades investigadas pelo próprio governo e não em razão das denúncias apresentadas pelo policial militar João Dias Ferreira. Além de até então não ter apresentado provas de que o ministro recebeu propina pessoalmente em uma garagem, Ferreira está sob suspeita pelas tardias acusações e por sua extensa ficha criminal. Se não aparecerem fatos novos, a história ficará no impasse de uma palavra contra a outra: a do ministro versus a do policial.

Mais do que as acusações do policial e a pressão da mídia, irrita a presidenta Dilma Rousseff a repetição de erros. A Controladoria-Geral da União (CGU) constatou fraudes no Programa Segundo Tempo e nem todas as recomendações foram cumpridas. O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a pedir a devolução de verbas públicas. Além disso, o Ministério Público Federal mantém ao menos quatro inquéritos com suspeitas sobre o Esporte. A revelação de que algumas ONGs beneficiadas pelos supostos esquemas fraudulentos voltaram a firmar contratos com o governo federal complicou ainda mais a situação do ministro.

De volta ao Brasil, após realizar visitas oficiais na África, Dilma deve decidir o futuro de Silva entre sexta-feira 21 e segunda-feira 24. Até o fechamento desta edição, no fim da noite da quinta-feira 20, a presidenta estava reunida com alguns ministros para obter um briefing da crise. O Planalto sabe que as eleições de 2014 serão medidas pelo grau de sucesso da Copa. Por isso o assunto é prioritário. A avaliação sobre o escândalo não se fixa na questão de sua veracidade ou não. Dilma levará em conta dois aspectos. Primeiro, se ele terá condições de se sustentar no comando do ministério em um momento decisivo de discussão da Lei Geral da Copa, no qual os interesses da Fifa e da CBF estão em choque com os do governo (leia à pág. 29). Também serão analisados os possíveis erros em relação à distribuição de verbas para ONGs, razão pela qual está acertada uma conversa com o ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União (CGU).*

*Leia a íntegra da matéria na edição 669 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 21

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