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Política

CPI do Cachoeira

Na CPI, Pagot reduz o tom contra PT e PSDB

por Redação Carta Capital — publicado 28/08/2012 15h33, última modificação 28/08/2012 15h33
Ex-diretor do Dnit retira acusação de que PSDB fez caixa 2 em obra do Rodoanel e diz que pedido de doações ao PT não eram irregulares
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Pagot durante depoimento à CPI do Cachoeira, nesta terça-feira 28. Foto: Antonio Cruz / ABr

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot confirmou nesta terça-feira 28, em depoimento à CPI do Cachoeira, as denúncias que contra o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM). Pagot reafirmou que Demóstenes teria tentado beneficiar a construtora Delta, da qual o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, seria sócio oculto. Pagot, entretanto, reduziu o tom dos comentários feitos contra o PT e o PSDB, partidos que, segundo ele, usavam os governos que controlavam para financiar campanhas eleitorais.

De acordo com Pagot, Demóstenes fez lobby para que o Dnit beneficiasse a empresa Delta em obras no Mato Grosso. Em fevereiro de 2011, disse Pagot, Demóstenes o convidou para um jantar e, ao chegar à casa do então senador, estavam presentes diretores da Delta, entre eles o ex-dono da empreiteira Fernando Cavendish e o diretor da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Abreu aparece em interceptações da Polícia Federal mantendo vários diálogos com Carlinhos Cachoeira.

Pagot contou aos parlamentares da CPI que, ao final do jantar, Demóstenes o levou a uma sala reservada para falar sobre obras. “Durante o jantar, foi conversado sobre vinhos, desenvolvimento do Brasil e o senador perguntou se ia ter dinheiro para o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] 1 e 2. Quando terminou, ele me chamou para um sala reservada, apenas eu e ele. Ele disse, então, que tinha dívidas com a Delta e que precisava ter uma obra para a empresa com o carimbo dele”, contou o ex-diretor do Dnit. Ele negou que tenha atendido ao pedido. A Delta é apontada pela Polícia Federal como elo financeiro da organização criminosa chefiada por Carlinhos Cachoeira. Está marcado para amanhã o depoimento de Fernando Cavendish na CPMI. Ele deve falar do repasse de recursos da empreiteira para supostas empresas fantasmas ligadas a Cachoeira.

Sobre o PSDB

Em junho, Pagot acusou o PSDB de fazer Caixa 2 nas obras do trecho sul do Rodoanel, obra viária que contorna a cidade de São Paulo. Pagot disse em junho ter sido pressionado a assinar, em nome do Dnit (responsável por obras viárias em todo o Brasil), um aditivo de R$ 264 milhões ao contrato original do Rodoanel. Pagot diz ter rejeitado a assinatura pois ela violava as regras da licitação realizada (o governo federal contribuiu com mais de R$ 1 bilhão para as obras do Rodoanel). Após a negativa, Pagot disse ter sido pressionado, especialmente por Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, então diretor da Dersa, estatal paulista que administra as rodovias do Estado. “Aquele convênio tinha um percentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do (José) Serra”, disse Pagot em junho. Nesta terça-feira, Pagot voltou atrás e disse ter ouvido a história do Caixa 2 num bar. "Isto é uma conversa de bêbado, de botequim, que não pode se provar", afirmou.

Sobre o PT

Pagot falou também sobre as relações com o PT e negou qualquer irregularidade em sua atuação no Dnit. Pagot negou ter arrecadado dinheiro para campanhas políticas, mas admitiu ter pedido a empresas que tinham contratos com o órgão doações para o PT durante o primeiro turno das eleições presidenciais de 2010.

Pagot disse que não agiu politicamente para que empresas fizessem doações a comitês partidários, mas contou que foi procurado pelo então tesoureiro de campanha do PT, José de Filippi Junior, para obter informações sobre empresas que poderiam fazer doações. “Não arrecadei para a campanha eleitoral. Penso que a forma de arrecadar é ir lá na empresa conseguir os valores, fazer com que os valores se apresentem nas contas públicas de campanha. Não tive atividade política, mas fui procurado pelo tesoureiro da campanha da presidenta Dilma [Rousseff] e ele me pediu ajuda."

Pagot contou que mostrou a José de Felippi, em uma reunião no Dnit, a lista das empresas que trabalhavam com o departamento. Eram 369 empresas. "Ele [Felipe] me disse que, com as maiores, não era preciso se preocupar, porque era assunto do comitê de campanha. Que, se pudesse pegar umas 30 a 40 empresas para fazer solicitações, que apresentassem a doação na conta de campanha. Isso no transcurso do primeiro turno”, disse o ex-diretor do Dnit.

Segundo ele, foram encaminhadas solicitações para algumas empresas, sem que se associassem eventuais doações ao recebimento de benefícios em contratos com o órgão. “Obviamente, encontrados alguns empresários ou seus procuradores, acreditei que não estava cometendo nenhuma ilegalidade. De maneira nenhuma associei a doação de campanha a qualquer ato administrativo no Dnit, e pedi, sim, se pudessem fazer alguma doação de campanha. Não estabeleci percentuais”, destacou.

De acordo com Pagot, todas as doações ocorreram de maneira legal. “Posteriormente ao meu pedido, algumas empresas encaminharam para mim o boleto. Não passou de meia dúzia. Fizeram a doação legalmente na conta da campanha. Posteriormente, segundo informações da Justiça Eleitoral, constatei que diversas empresas às quais fiz a solicitação, realmente fizeram a doação.”