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MST organiza Feira da Reforma Agrária em Maceió

por MST — publicado 08/09/2010 17h19, última modificação 08/09/2010 17h19
Entre os dias 8 e 12 de setembro, o MST realiza a 11ª Feira da Reforma Agrária, na Praça da Faculdade, bairro do Prado, em Maceió

Por Rafael Soriano*

Entre os dias 8 e 12 de setembro, o MST realiza a 11ª Feira da Reforma Agrária, na Praça da Faculdade, bairro do Prado, em Maceió

O evento começa com uma perspectiva de superação de vendas de alimentos e produtos de assentamentos e acampamentos de Reforma Agrária comercializados na edição anterior.

Mais de 200 barracas já começam a ser erguidas para uma das atividades de maior contato cultural entre o urbano e o rural em Alagoas.

Assentados de todo o Estado trazem as culturas que já comercializam localmente para as vendas na capital.

Baseados em um levantamento prévio de preços, os produtores-vendedores anunciam valores mais baixos que a média da cidade, eliminando a figura do atravessador, um dos responsáveis pelos altos preços dos alimentos nos mercados públicos.

A dependência desse personagem no dia-a-dia das feiras prejudica diretamente o trabalhador rural e a chegada dos alimentos à mesa das famílias na cidade.

No bojo dos debates sobre a proposta do MST para o modelo de agricultura brasileiro, a feira vem dando exemplos de peso ao longo dos anos, demonstrando a produtividade dos assentamentos e acampamentos

Para isso, os assentados levam alimentos mais saudáveis para a mesa do trabalhador.

O modelo inspirado na agroecologia, que se utiliza de práticas como os bancos de sementes, adubagem orgânica e conscientização das famílias.

Dessa forma, a Reforma Agrária apresenta uma alternativa ao modelo do agronegócio, baseado em grandes latifúndios de monoculturas para exportação, destruição do meio ambiente, expulsão das pessoas do campo e controle do capital financeiro, com capitalização das chamadas commodities, como a cana-de-açúcar.

Do lado da agricultura camponesa, pesa os dados divulgados em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no último Censo Agropecuário (2006), já que 75% dos alimentos que chegam a mesa do brasileiro são oriundos dessa produção familiar.

Para se ter uma idéia, 87% da produção de macaxeira vem da agricultura camponesa, assim como os 70% do feijão, 46% do milho e 58% do leite que alimentam o campo e a cidade.

Os assentamentos, além de contribuírem para a alimentação de toda a população e envolver o produtor economicamente em sua região, representam avanços em todos os campos sociais: escolas para educação no campo, acesso a políticas de saúde, habitação, cultura, entre outras.

Durante a 11ª Feira da Reforma Agrária, os camponeses e os consumidores celebram ainda um verdadeiro festival de cultura popular.

Todas as noites um festival de forró toma conta do palco, com trios tradicionais como o Gogó da Ema e Nó Cego.

Também celebrando a unidade cultural e política do campo e da cidade, grupos artísticos de reconhecida trajetória, como Los Borrachos Enamorados, Jurandir Bozo e outros animam a Praça da Faculdade de quarta a sábado.

A Feira da Reforma Agrária já faz parte do calendário comercial e cultural da cidade de Maceió e recebe um grande contingente de todas as faixas sociais.

11ª Feira da Reforma Agrária
Data- 8 e 12 de setembro,
Local- Praça da Faculdade, bairro do Prado, em Maceió.

*Matéria originalmente publicada no site do MST

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