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MST não quer violência em manifestações do Abril Vermelho

por Agência Brasil publicado 15/04/2011 09h00, última modificação 15/04/2011 10h50
O movimento fez cerca de 70 ocupações em mais de 20 estados e mantém acampamentos em dez capitais para marcar a passagem do Abril Vermelho, período tradicional de mobilização do MST. Por Gilberto Costa

Por Gilberto Costa

Brasília – O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou, nos últimos dias, campanha para pedir reforma agrária. O movimento fez cerca de 70 ocupações em mais de 20 estados e mantém acampamentos em dez capitais para marcar a passagem do Abril Vermelho, período tradicional de mobilização do MST.

A orientação é que as manifestações evitem conflitos. “Há um estilo nessas mobilizações que não é de provocar ou criar conflitos que possam gerar qualquer tipo de violência”, disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do movimento, à Agência Brasil. Segundo ele, “há um cuidado maior nas ações do MST” e as lideranças têm em vista que “os meios de comunicação a cada momento só tentam achar a parte ruim das mobilizações”.

A decisão de evitar conflitos não representa mudança de estratégia do movimento. “O MST continuará ocupando latifúndio produtivo que não estiver cumprindo a função social, conforme previsto na Constituição”, disse João Paulo, na abertura do seminário Eldorado dos Carajás: 15 Anos de Impunidade, promovido hoje na Câmara dos Deputados.

Quanto ao governo a tática é ser propositivo. “Não é possível transformar a sociedade brasileira com essa estrutura agrária. Para combater a pobreza [objetivo principal anunciado pelo governo Dilma], tem que fazer reforma agrária”, avaliou João Paulo.

Durante a semana, o MST percorreu diversos ministérios para levar às suas demandas. Este ano, o movimento aponta falhas nos assentamentos de trabalhadores rurais (infraestrutura, acesso à escola, crédito) e tenta garantir Orçamento para a reforma agrária em meio ao contingenciamento de mais de R$ 50 bilhões anunciado em fevereiro.

Além disso, o MST pede que o governo não apóie a mudança no Código Florestal, como descrito na proposta do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) em discussão na Câmara. “Queremos discutir o projeto de lei”, disse João Paulo.

O governo responderá às demandas do MST e de outros movimentos sociais no dia 2 de maio. A Secretaria-Geral da Presidência da República fez, na segunda-feira (11), reunião com os secretários executivos dos ministérios para encaminhar demandas recebidas. Cada pasta recebeu um CD com a lista de reivindicações que deverão ser respondidas conforme orientação da secretaria.

“O governo está tratando os movimentos sociais com muita seriedade”, frisou André Lázaro, secretário -executivo da Secretaria de Direitos Humanos. “Nós entendemos que são legítimas as reivindicações dos movimentos sociais e entendemos que é legítima a luta pela terra, mas isso tem que se dar nos marcos da legalidade”, apontou o secretário ao comentar que os governos são “datados”, têm prazo para terminar, e os movimentos sociais “têm uma dimensão utópica”. Para Lázaro, “essa tensão é construtiva”.

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