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MPF utiliza reportagens para mover ação contra acusados de tortura no regime militar

por Portal Imprensa — publicado 31/08/2010 11h30, última modificação 31/08/2010 11h57
Três delegados que atuaram pelo Doi/Codi poderão ser afastados, perderão seus cargos e aposentadorias

 Três delegados que atuaram pelo Doi/Codi poderão ser afastados, perderão seus cargos e aposentadorias

Reconhecidos por vítimas a partir de imagens veiculadas em jornais, revistas e na televisão, três ex-agentes do departamento de repressão da ditadura militar podem ser indiciados caso a Justiça aceite ação civil do Ministério Público Federal. Entre os acusados, está o ex-delegado que teria forjado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog. 

O MPF pede o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias dos delegados Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araujo e Dirceu Gravina (ainda ativo) que, durante o regime (1964-1985), atuaram pelo Doi/Codi e teriam participado diretamente de sessões de tortura, de atos de abuso sexual e do desaparecimento e assassinato de presos.

A ação foi baseada em relatos colhidos por procuradores da República com ex-presos políticos e com alguns de seus familiares. O pedido de inquérito reúne, ainda, documentação de processos de auditorias militares, arquivos do Dops, livros sobre a repressão, entre eles "Brasil: Nunca Mais" e "Direito à Memória e à Verdade", e alguns registros jornalísticos. 

De acordo com a documentação apresentada pelo MPF, o delegado Aparecido Laertes Calandra, utilizando-se do codinome "Ubirajara", participou da tortura e desaparecimento de Hiroaki Torigoe, da tortura, morte e da falsa versão de que Carlos Nicolau Danielli fora morto em um tiroteio da tortura do casal César e Maria Amélia Telles, além de participar da montagem da versão fantasiosa de que o jornalista Vladimir Herzog teria cometido suicídio na cadeia. Reportagens dão conta de que Calandra teria participado também de torturas contra Paulo Vannuchi e Nilmário Miranda.

David dos Santos Araújo, o conhecido como "capitão Lisboa", estaria envolvido na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas, preso junto com seu filho, Ivan Seixas, à época com 16 anos. Segundo Ivan, atual presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa, Lisboa era o que mais lhe batia durante os dias em que ficou preso.
Dirceu Gravina foi reconhecido em 2008 por Lenira Machado, uma de suas vítimas, após aparecer em reportagem a respeito da investigação que ele conduzia acerca de "um suposto vampiro que agia na cidade de Presidente Prudente e mordia o pescoço de adolescentes".

A ação é assinada pelo procurador regional da república Marlon Alberto Weichert, os procuradores da República Eugênia Augusta Gonzaga, Luiz Costa, Sergio Gardenghi Suiama, Adriana da Silva Fernandes, e o Procurador Regional dos Diretos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias.

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