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Carlos Lupi

Ministério cria blog para vazar notícias

por Redação Carta Capital — publicado 10/11/2011 14h20, última modificação 10/11/2011 14h21
Acuado com suspeitas de propina, e já enquadrado pelo Planalto por falar demais, ministério cria site para garantir sua versão dos fatos
Em audiência na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, diz que quer resolver pendências sobre as prestações de contas da pasta. Foto: Antonio Cruz/ABr

Em audiência na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, diz que quer resolver pendências sobre as prestações de contas da pasta. Foto: Antonio Cruz/ABr

Acuado com as suspeitas que envolvem assessores no governo e enquadrado pela presidenta Dilma Rousseff pelo tom que tem respondido à crise, o ministro Carlos Lupi, do Trabalho, criou um blog, dentro do site oficial da pasta, para vazar as notícias relacionadas a ele antes mesmo de sua publicação.

No blog, solicitações de entrevista ou pedidos de esclarecimento de fatos são divulgados e respondidos diretamente na página eletrônica. Segundo a pasta, a medida serve para “levar mais transparência aos questionamentos feitos pela imprensa, que, muitas vezes, sequer levam em considerações as respostas do MTE.” Na prática, o site serve como uma espécie de derruba-pauta dos repórteres que acionam o órgão – já que, em tese, o jornalista pode se sentir acuado ao entregar para outros veículos os assuntos que pretende publicar.

Candidato a sétimo degolado na Esplanada dos Ministérios, que acaba de ejetar Orlando Silva da cadeira dos Esportes, Lupi nega a suspeita de que seus assessores cobravam propina para liberar pagamentos a ONGs que oferecem curso de capacitação profissional. Anderson Alexandre Santos, ex-assessor especial e coordenador-geral de Qualificação, é apontado como operador do suposto esquema. Ele foi afastado do cargo no fim de semana, após reportagem da revista Veja.

Na esteia das acusações, Lupi pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal investigue as denúncias.

A situação se complicou quando o ministro convocou uma entrevista coletiva em que afirmou que só sairia do ministério se fosse “abatido à bala”. No dia seguinte, após reunião entre Lupi e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, no Planalto, o PDT, partido do ministro, divulgou uma nota negando que ele tenha desafiado Dilma.

“As declarações do ministro Carlos Lupi durante coletiva, na sede nacional do PDT, não foram de ameaça à presidente Dilma Rousseff ou a quem quer que seja, mas sim um desafio aos acusadores anônimos", informa a nota do partido.

Após a confusão, Dilma disse a jornalistas que “o passado simplesmente passou” ao ser perguntada sobre a declaração do ministro do Trabalho. Segundo ela, o assunto não abala o governo e não há sinal de crise. “Que crise no Ministério do Trabalho?”, indagou.

Para se manter de pé, o ministro tenta desqualificar as reportagens sobre ele, que seriam "denúncia vazia". “As pessoas que denunciam se acovardam no anonimato”, disse.

Para ele, está havendo "uma onda de denuncismos" e, no seu caso, a avaliação que faz é de uma tentativa de desestabilizá-lo. "A quem interessam essas denúncias? Mas não tem problema, eu sou osso duro de roer", ressaltou Lupi.

Lupi foi convidado na quinta-feira 10 para falar sobre as denúncias na Câmara dos Deputados. Desde a manhã desta quinta-feira Lupi esclarece dúvidas sobre as irregularidades na pasta, na Comissão de Fiscalização e Controle.

De acordo com Lupi, há 491 convênios na área de qualificação, dos quais 18 estão com prestação de contas rejeitadas.

Ele informou que este mês recebeu comunicado do Tribunal de Contas da União para que fizesse um cronograma a fim de reduzir o número de contratos sem registro no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi).

“Quero fazer o possível e impossível para resolver os processos de prestação de contas que não estão no Siafi".

Lupi reiterou que sua equipe não cobra propina em nome do partido. Ele lembrou que o Ministério do Trabalho conta com cerca de 10 mil funcionários. “Se [alguém] tiver feito, cadeia para o corrupto e para o corruptor”, disse.

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