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Militantes protestam contra homofobia no Irã e na Nigéria

por Piero Locatelli — publicado 16/06/2014 15h33, última modificação 16/06/2014 23h34
Com cartazes e panfletos, associação denuncia preconceito "de Estado" antes do jogo dos dois países em Curitiba
Piero Locatelli/CartaCapital
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Mulher passa por intervenção do ABGLT em Curitiba

De Curitiba

Em Curitiba para a estreia da seleção iraniana na Copa do Mundo, um casal de homens iranianos foi surpreendido com a foto do presidente do seu país. O retrato de Hassan Houhani estava pendurado em uma placa ao lado de uma bandeira com as cores do arco-íris.

Em inglês, a placa dizia que Houhani é uma assassino de homossexuais. Surpreso, um deles, que não quis se identificar, dizia que a placa era um exagero. "Não tem problema não, eu estou vivo. É só você não mostrar na rua que é."

Numa região por onde circulavam cerca de duzentas pessoas, no centro da cidade, trinta militantes da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) distribuíam panfletos em intervenção para denunciar a "homofobia de Estado" no Irã e na Nigéria.

No primeiro país, a lei prevê o enforcamento para homossexuais - as últimas três execuções conhecidas no país aconteceram em 2011. A pena de morte também é adotada para esses casos na região norte da Nigéria e, no sul, leva a 14 anos de prisão.

Toni Reis, militante da associação, afirma que, apesar de muitos iranianos que passaram pelo ato o terem apoiado, a maioria mora fora do país, principalmente nos Estados Unidos e na Austrália. Segundo ele, a intervenção não é contrária à Copa ou aos visitantes dos dois países, mas contra os governos que considera homofóbicos.

Em um calçadão no centro da cidade, forcas foram penduradas para lembrar a morte de homossexuais nos dois países. Um mapa também mostrava as diferentes leis sobre gênero no mundo todo. Também havia menções à partida entre Argélia e Rússia, que também acontecerá na terça-feira, 17, na cidade. No caso do primeiro país, contra a homossexualidade ser também punida com pena de morte e, no segundo, contra as declarações homofóbicas do presidente Vladimir Putin