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Política

Rio de Janeiro

Milícia liderada por vereador queria matar chefe de polícia do Rio

por Rodrigo Martins publicado 13/04/2011 16h48, última modificação 13/04/2011 18h18
Um dos alvos, o deputado estadual Marcelo Freixo, desabafou a CartaCapital: “É inadmissível que em pleno século XXI há um parlamentar que representa o crime organizado no Rio

Um dos alvos, o deputado estadual Marcelo Freixo, desabafou a CartaCapital: “É inadmissível que em pleno século XXI há um parlamentar que representa o crime organizado no Rio”

O vereador do Rio de Janeiro Luiz André Ferreira da Silva (PR), conhecido como Deco, foi preso na manhã desta quarta-feira, durante uma operação da Polícia Civil para desarticular uma milícia que atua em Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade. Oitenta agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) continuam na região para cumprir 14 mandados de prisão contra ex-policiais e guardas municipais que integram o grupo miliciano.

De acordo com o Ministério Público, o bando controlava ao menos 13 comunidades cariocas, incluindo Praça Seca e Campinho, e planejava matar uma vereadora não identificada, o deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias em 2008, e a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha. “Ela só foi ameaçada porque, antes de assumir a chefia da Polícia, era delegada titular do 26º DP de Campinho e nunca foi conivente com o crime organizado”, afirmou Freixo a CartaCapital. “Nós cumprimos o nosso papel. Investigamos, denunciamos e indiciamos o Deco e seu bando há três anos, mas só agora resolveram prendê-lo. Essa demora é injustificável.”

O deputado ameaçado, que anda com escolta armada desde 2008, lista uma série de crimes atribuídos à milícia liderada por Deco, como homicídios, extorsões, tortura, furto de sinal de tevê a cabo e internet e exploração ilegal de transporte coletivo e máquinas caça-níquel. Visivelmente irritado com a demora em prender o grupo, Freixo desabafa: “Espero que esses vereadores tomem vergonha na cara e peçam cassação desse bandido ainda hoje. É inadmissível que em pleno século XXI há um parlamentar que representa o crime organizado no Rio. Precisamos acabar com esse silêncio covarde da Câmara Municipal e cobrar mais celeridade da Justiça para punir esses criminosos.”

Oficial da reserva do Exército, o vereador Deco diz ser inocente e vítima de uma perseguição política. Além das prisões, os policiais envolvidos na operação devem cumprir 25 mandados de busca e apreensão em diversos pontos da capital fluminense.

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