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Política

Greve na Bahia

Milícia aproveita greve para cometer onda de assassinato

por Redação Carta Capital — publicado 11/02/2012 09h46, última modificação 06/06/2015 18h21
Declaração foi feita pelo diretor do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa

Em menos de duas semanas de greve da Polícia Militar na Bahia, 157 pessoas foram assassinadas na capital, Salvador, e região metropolitana. Assombroso, o número é quase o dobro do índice de homicídios registrados na localidade em condições “normais”.

A tragédia não ocorre por acaso. Em declaração ao jornal Folha de S.Paulo, o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa, Arthur Gallas, disse que milícias bancadas por comerciantes para manter a ordem na periferia estão por trás desses assassinatos. Os crimes acontecem, segundo ele, no vácuo do policiamento provocado pela greve.

"Esses grupos estão se aproveitando da greve, que reduziu o policiamento, para 'limpar' a área e matar quem estava incomodando", disse Gallas ao jornal.

De acordo com a reportagem, os alvos são usuários de drogas, moradores de rua e desafetos das milícias que antes controlavam as áreas mais violentas.

 

A suspeita é que os grupos paramilitares operem sob proteção das próprias polícias de Salvador.

A greve teve início na semana passada, quando policiais decidiram cruzar os braços por aumento salarial. A situação levou o governador do estado, Jaques Wagner, a pedir apoio de forças federais para reforçar o policiamento, sobretudo em Salvador, cidade que nesta época do ano recebe milhares de turistas por causa do Carnaval, a maior festa popular do País.

Na sexta-feira, após uma assembleia, os policiais militares decidiram manter a paralisação e marcaram uma nova reunião para sábado 11, para decidir o futuro do movimento.