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Política

Eleições 2010

Marina Silva embaralha o jogo eleitoral

por Celso Marcondes — publicado 11/08/2009 16h08, última modificação 19/08/2010 16h09
Para quem imaginava que a disputa pela presidência da República em 2010 estava prematuramente reduzida ao confronto entre a ministra Dilma Roussef e o governador José Serra, novos ares exigem novas avaliações.

Há novidades no front.

Para quem imaginava que a disputa pela presidência da República em 2010 estava prematuramente reduzida ao confronto entre a ministra Dilma Roussef e o governador José Serra, novos ares exigem novas avaliações.

Após a constatação de que a crise econômica mundial já havia chegado aos seus limites no Brasil sem causar maiores estragos, as últimas pesquisas de opinião indicaram que não só o presidente Lula recuperava seus enormes índices de aprovação, como também descarregava parte considerável do seu pote de prestígio nas mãos de sua ministra candidata.

A invulnerabilidade de Lula parecia tamanha e o crescimento de Dilma tão vigoroso que, nas últimas semanas cresciam entre os analistas as suposições de que o governador Serra já começava a considerar com mais cuidado a hipótese de abandonar o sonho presidencial em favor de uma confortável disputa pela reeleição em São Paulo.

Acontecendo isso, o governador mineiro Aécio Neves passaria a ser o candidato do PSDB à presidência. Embora ele esteja hoje bem abaixo do seu colega paulista nas pesquisas de intenção de voto, sempre houve quem dissesse que seu potencial de crescimento seria maior que o de Serra e de que ele seria o adversário mais temido pelos petistas.

Mais consistente ainda é a avaliação que o mineiro não tem nada a perder em caso de derrota para Dilma, já que, além de ser muito jovem, não tem como concorrer ao terceiro mandato em Minas. A única opção que Aécio teria, caso não disputasse a presidência, seria se eleger - com uma mão nas costas - para o Senado, cargo, que, digamos assim, não anda muito valorizado ultimamente.

Porém, enquanto a batalha política do momento se mantém focada no senador José Sarney, sem que, até aqui, maiores danos pudessem ser causados ao prestígio do presidente Lula e de sua candidata, surge, de maneira mais consistente, a possibilidade da senadora Marina Silva romper com o PT e abraçar a disputa eleitoral através do Partido Verde.

O que todo mundo sabe é que Marina Silva tem uma vinculação umbilical com o PT e que a ruptura com o partido seria algo que lhe custaria muito caro. Mas também é público e notório que sua permanência no ministério do Meio Ambiente foi sempre motivo de muita tensão, marcada por confrontos internos delicados – em particular com a chefa da Casa Civil, Dilma Roussef.

Demissionária do ministério, a senadora passou a acelerar suas críticas contra a política ambiental do governo Lula e deixar cada vez mais explícitas suas diferenças. Para ela, a defesa do meio ambiente é questão estratégica e essa seria a tese central de sua eventual campanha presidencial. O que os apoiadores de sua candidatura dizem é que, com este olhar, Marina não só romperia a polaridade Serra-Dilma como teria chances consistentes de ter um apoio significativo de parte da sociedade, sobretudo da juventude e de setores da classe média mais preocupados com a questão ambiental e mais desiludidos com os descaminhos da política tradicional.

Os que apóiam Marina afirmam, com base em avaliações e em pesquisas internas, que ela já partiria de um patamar de uns 10% de intenções de voto, com chances crescentes de aumentá-lo assim que oficializar a candidatura;

Um dos óbices para a definição da senadora é o conhecimento da fragilidade estrutural e das ambigüidades do PV. Campanha exige apoio nacional, dinheiro, contatos, bases municipais e estaduais, coisas que o PV não tem e que o PT e o PSDB têm, além de saberem – vide crise do Senado - que o PMDB tem de montão. Já as ambigüidades dos verdes ficam explicitas com uma simples constatação: participam dos governos Serra e Lula, situação um tanto difícil de segurar quando o jogo eleitoral ficar mais pesado.

Diz-se nos bastidores que os apoiadores do governador de São Paulo veriam com muito bons olhos a candidatura da senadora Marina. Fácil entender por que: segundo eles, ela tiraria mais votos de Dilma e poderia fazer na candidatura da ministra o estrago que nem seu câncer, nem a crise mundial, nem a CPI da Petrobras, nem a crise no Senado fizeram até aqui. Setores do PT também pensam assim e já começaram a se mobilizar, talvez tardiamente, para convencer a senadora a não mudar de casa. Mas as conseqüências desta novidade só começarão a ser medidas se a candidatura de Marina for confirmada e saírem os resultados das próximas pesquisas do Ibope e da Datafolha.

Aguardemos.