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Política

Eleições 2010

Marina Silva diz que vai para o segundo turno

por Celso Marcondes — publicado 11/06/2010 15h43, última modificação 17/08/2010 15h45
Na Convenção do PV, candidatura da senadora é oficializada e partido aposta na quebra da polarização

Na Convenção do PV, candidatura da senadora é oficializada e partido aposta na quebra da polarização

A Convenção Nacional do Partido Verde realizada dia 10, em Brasília, oficializou as candidaturas de Marina Silva e Guilherme Leal para as eleições de outubro próximo.

Coube ao coordenador geral da campanha, o vereador Alfredo Sirkis (RJ), o papel de fazer, no início do evento, um balanço geral e apresentar as perspectivas para a nova fase que se abre.

Sua principal preocupação foi a de passar uma mensagem de otimismo para os militantes, diante dos ainda minguados 12% que a candidata apresenta nas pesquisas. Para Sirkis, “a campanha ainda não começou” e só interessa neste momento a quem está diretamente engajado na disputa. As pesquisas assinalariam apenas “pontos de partida” e o “processo de contaminação” começaria depois de 17 de agosto, com o horário gratuito do TRE no rádio e na televisão.

Ao lembrar que o PV não tem os recursos financeiros, as máquinas eleitorais e o tempo de TV dos dois grandes adversários, ele diz que aposta na capacidade de “reverberar” na internet, nas redes sociais e nos celulares os programas diários de apenas um minuto que o partido terá direito.

Para Sirkis, a campanha não é como as anteriores, não tem o objetivo limitado de disseminar as ideias do partido, mas “vencer as eleições e mostrar que tem condições de governar”.

Para que o objetivo seja cumprido, apelou para o esforço de mobilização dos militantes e apoiadores da candidatura na busca de caminhos alternativos para a campanha. Sirkis avalia que nos setores de classe média dos grandes centros Marina já está muito bem posicionada, até disputando a liderança nas pesquisas com José Serra. Também acredita que junto à juventude a campanha terá grande repercussão, mas que este engajamento só ocorrerá quando as eleições estiverem mais próximas.

Para Sirkis é “absolutamente decisivo um segmento: as mulheres pobres que se identificam com Marina Silva, em primeiro lugar pelo seu exemplo de vida, pelo que ela é, sua história, antes mesmo que ela fale o que pretende para o Brasil”.

Sirkis, que passou a coordenação geral da campanha para João Paulo Capobianco - vai se dedicar mais a sua campanha para deputado federal - foi também o encarregado de abordar o que ele chamou de “temas malditos” ou “as cascas de banana que os adversário colocam no nosso caminho”. Referia-se às discussões sobre o direito ao aborto, a descriminalização das drogas, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a opção religiosa. Todos eles assuntos difíceis de serem abordados pela evangélica Marina Silva, integrante de um partido criado sobre bases mais liberais.

Sirkis fez razoável ginástica verbal para amenizar as contradições, mas apontou uma saída ao menos para os temas do aborto e das drogas, a realização de plebiscitos, delegando ao povo a decisão.

E poupou Marina de abordá-los no discurso de encerramento.

A candidata foi a última a falar, depois de ouvir os depoimentos de convidados ilustres como o frei Leonardo Boff, o poeta Thiago de Mello e seu vice, Guilherme Leal. Gilberto Gil não esteve presente.

Marina falou quase por uma hora, saudou familiares e companheiros presentes, destacou pontos de seu programa - principalmente a Educação - e reiterou a busca pela terceira via, mais poupando que criticando Lula e FHC.

Entusiasmou-se ao final, ao afirmar que “o Brasil terá a primeira mulher negra na presidência do País”, dando um tom vibrante ao final do evento.

No fim de semana será a vez das convenções dos partidos que polarizam. A partir de segunda-feira, mesmo com Copa do Mundo, tudo passa a ser oficial.