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Política

Marco Aurélio Garcia: “Não acredito em baixaria” na campanha eleitoral

Por Luiz Carlos Azenha*

O coordenador do programa de governo da candidata governista Dilma Rousseff disse hoje que não acredita em baixaria na campanha presidencial. Marco Aurélio Garcia, ao ser lembrado que a campanha de José Serra já tem prontos comerciais com ataques a Dilma, disse que a tática custa votos e que poderia empurrar o oposicionista José Serra para o colo da direita ou da extrema-direita, de onde o tucano tem tentado se descolar nas últimas semanas.

Garcia, que tirou férias do cargo de assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais para se dedicar à campanha, disse que a candidatura de José Serra é “errática”.

Lembrei a ele que o programa de estreia de Dilma no horário eleitoral falou no papel da candidata na resistência ao regime militar, mas não mencionou luta armada. “Dilma não participou de ações armadas”. Garcia evocou o próprio exemplo: “Eu também militei em organização que promoveu ações armadas, mas não participei delas”.

Sobre as mais recentes pesquisas eleitorais (uma do Ibope, dando 11% de vantagem a Dilma, e a segunda do Vox Populi, que daria 16% de vantagem à petista), Marco Aurélio disse estar certo de que não vão desmobilizar a militância. Para justificar seu ponto-de-vista, valeu-se de uma metáfora futebolística: “Quando espera vitória de seu time é que a torcida vai ao estádio”, disse, citando a partida entre o Internacional e o Chivas, do México, pela final da Libertadores, em Porto Alegre. Marco Aurélio é colorado.

O petista disse ter percebido, em seu contato com gente de diferentes camadas sociais, que existe uma espécie de aflição do eleitorado quanto à continuidade do governo Lula. Seria como se as pessoas estivessem com medo de perder o que foi conquistado. Marco Aurélio informou que esse dado aparece nas pesquisas qualitativas e ajudou a definir o programa de Dilma no rádio e na TV. A ênfase, portanto, será na continuidade.

Sobre o programa político da candidata, Garcia disse que a coalizão com partidos mais conservadores não diluirá o caráter de “centro-esquerda” das propostas. Serão três eixos principais: 1. Ênfase na questão social; 2. Aperfeiçoamento da democracia brasileira, com participação popular nas decisões; 3. Soberania nacional.

Ele confirmou a manutenção dos rumos da política externa, que esteve sob constante ataque dos conservadores nos últimos meses. Mas explicou:

1. Não existe “aproximação” do governo Lula com o Irã, mas a busca por um caminho que privilegie as negociações diplomáticas, não as sanções, para resolver a questão nuclear iraniana.

2. O Brasil não privilegiou Bolívia, Paraguai ou Venezuela em suas relações externas, mas também o Uruguai, a Argentina e o Chile, dentro da diretriz de que o Brasil não pretende no futuro ser um país rico com vizinhos frágeis na América do Sul.

3. O Brasil defende os direitos humanos em fóruns internacionais, mas não acredita que a melhor forma de fazê-lo é através de denúncias públicas. “Não somos uma ONG”, disse Marco Aurélio.

*Matéria originalmente publica no Vi o mundo

4 Respostas para “Marco Aurélio Garcia: “Não acredito em baixaria” na campanha eleitoral”

  • Oscar disse:

    Azenha, valeu por ser o reporter que é. Azenha, o grande. Eita, como sair da Globo faz bem.

  • Valdemar disse:

    Qual será o futuro da velha mídia? Aquela que era a única forma do público acessar informações e usou e abusou desse monopólio. Hoje, vejo na tentativa de manipulação das entrevistas no JN um revival do 25 de janeiro de 1984, o grande comício das diretas em São Paulo, noticiado por eles como comemoração do aniversário da cidade. Ou a edição do debate Lula x Collor. Não sei exatamente se o conluio dos barões da mídia com as forças retrógradas vai continuar depois dessa debacle que se anuncia, com certeza a reação continuará existindo, será que o mesmo pode ser dito sobre a mídia?? Me orgulho da política externa do governo Lula, e tanto o Marco Aurélio Garcia, quanto o barbudinho do Itamaraty, Celso Amorim tem realizado um trabalho, que me faz lembrar o movimento dos não-alinhados dos anos 60/70.

  • Kátia Perucci disse:

    É Azenha, Marco Aurélio Garcia precisa acordar!!! Parece que tomou dois comprimidos pra domir mas só um pra acordar! Tá meio defasado!
    A baixaria já estava existindo, só que agora “overdosou”!

    Serra, O Demente, junto com o PIG, estão “deitando e rolando”…
    Vamos reagir, gente!!!

  • Lenir Vicente disse:

    O Sr.Marco Aurélio Garcia tem razão.O Brasil não é uma ong.É um país soberano e tem que estar à altura de sua soberania e Democracia.Ela é para todos,deve-se buscá-la sempre, com iniciativas e diálogos com todos os paizes.Isso que o Lula faz é dar aos outros paizes uma lição.Só que é difícil para alguns deles, vide EEUU, entender que a Democracia não é um prilégio que só deve ser empregado nas relações internacionais à alguns, os que tem grande poder de barganha, como China e Russia.Quanto ao Sr. Azenha, ele sempre foi um grande repórter e sempre demonstrou isso, mesmo naquele PIG, onde trabalhou.Bom poder ler seus textos, Sr,Azenha.Parabéns , o senhor nunca foi um amestrado.Abração.

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