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Política

Protestos no Egito

Confrontos com polícia deixam mais de 1000 feridos

por Clara Roman — publicado 29/06/2011 16h23, última modificação 29/06/2011 17h15
Cerca de 5000 manifestantes foram às ruas para pedir agilidade nas investigações de crimes cometidos pelo regime destituído e pelo fim da violência
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Cerca de 5000 manifestantes foram às ruas para pedir agilidade nas investigações de crimes cometidos pelo regime destituído e pelo fim da violência. Segundo ministro da Saúde, há mais de mil feridosFoto: Khaled Desouki/ AFP

Depois da revolução que derrubou a ditadura de Hosni Mubarak, jovens egípcios voltaram na terça-feira 28 à praça Tahrir para pedir um estado laico e democrático. Cerca de 5.000 manifestantes entraram em confronto com a polícia. O ministro da Saúde Abdel Hamid Abaz estima que mais de 1.000 pessoas tenham sido feridas nos confrontos. Os manifestantes pedem o fim da violência policial e agilidade nas investigações dos crimes cometidos pelo antigo regime.

Segundo informações da BBC, forças policiais agrediram familiares de vítimas do regime de Mubarak, destituído no início do ano. Os manifestantes, do movimento ligado ao líder Mohamed El Baradei, pedem que seja feita uma nova constituinte com participação dos movimentos sociais e que torturadores e agressores do regime de Mubarak que atuaram na repressão às forças revolucionárias em janeiro, sejam julgados.

Os protestos começaram no dia 28, a noite, e se estendem até esta quarta-feira, 29. Segundo a AlJazeera, há um sentimento de frustração entre os familiares dos mártires da revolução com a demora para o encaminhamento dos processos. O conselho militar postou no Facebook que a nova onda de protestos “não tem justificativa a não ser minar a estabilidade e segurança no Egito, de acordo com um plano coordenado e calculado no qual o sangue dos mártires pe usado para dividir o aparato de segurança e os revolucionários”.

No início do ano, diferentes movimentos civis se uniram para derrubar a ditadura de Mubarak, que se estendia há décadas. Entre eles, a Irmandade Muçulmana, composto por jovens islâmicos e grupos ligados a Mohamed El Baradei, que pregam um estado laico. Depois da queda de Mubarak, instalou-se um conselho militar até novas eleições. Os manifestantes que pregavam a queda da ditadura passaram a lutar pela destituição de todas as outras instituições ligadas ao regime anterior, nas universidades e instâncias menores do poder. No dia 27 de maio, o movimento 6 de abril, ligado a El Baradei, rompeu com a Irmandade Muçulmana. Enquanto o primeiro defende uma nova constituinte, a Irmandade prefere convocar as eleições antes e redigir a Constituição com participação de parlamentares, apenas.

Os Conselhos Municipais (comparáveis a nossa Câmara Municipal) foram dissolvidos por decisão judicial. Além disso, amanhã deve ser emitida a sentença do líder assassinado Khalid Said, que mobilizou os jovens no Facebook e contribuiu para o início do movimento revolucionário.

Emboscada

Segundo Maged El Gebaly, membro do movimento pró – El Baradei e residente no Brasil, os familiares dos mortos nas revoluções foram chamados pelo próprio governo egípcio para uma homenagem aos mártires. Enquanto assistiam à homenagem, foram atacados por membros de milícia ligada ao regime destituído de Mubarak, dando início aos conflitos.

Segundo Maged, os ataques ocorreram por conta da queda dos conselhos municipais. “Isso ameaca o poder desta máfia de servicos secretos, que se apóia nestes conselhos locais”, diz ele. Ele afirma que o evento organizado para dez famílias era uma emboscada para os militantes do movimento pró- El Baradei.

Pesquisas

Segundo o jornal Al-Ahram, um dos maiores do país, metade dos egípcios não conhecem o primeiro-ministro Sharaf e outros oficiais do governo. Já outro jornal, o Al-Shorouk afirmou que “39% dos egípcios sonham com um presidente e apenas 8% querem um presidente religioso”

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