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Política

Crise no Planalto

Maierovitch: "Gurgel pode se tornar o Esquentador Geral da União”

por Redação Carta Capital — publicado 07/06/2011 18h50, última modificação 07/06/2011 19h58
Colunista de CartaCapital critica a decisão do procurador-geral de arquivar as acusações contra Palocci

Bastou Antônio Palocci apresentar demonstrativos contábeis de sua ex-empresa de consultoria para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, arquivasse as quatro representações contra o Ministro-Chefe da Casa Civil em pouco tempo. Na opinião de Walter Fanganiello Maierovitch, jurista, professor e colunista de CartaCapital, o fato mostra o despreparo do procurador para lidar com o caso. “Pelo seu método e a sua precipitada conclusão de arquivamentos, Gurgel poderá, involuntariamente, ter se transformado num “Esquentador Geral da União”, diz.

O problema tem início quando Gurgel acatou a argumentação do ministro da Casa Civil. “Em vez de investigar, Gurgel conformou-se em aceitar uma resposta escrita do ministro Palocci que, só em dois meses e já anunciado como ministro do futuro governo Dilma, ganhou 10 milhões de reais”, diz Maierovitch. “O indício que Gurgel não quis enxergar foi o gigantesco aumento patrimonial do ministro. A suspeita era de exploração de prestígio, o que, para apurá-la, há necessidade de se colher testemunhos, fazer inquirições, cruzar depósitos, verificar a origem do capital dado em pagamento. E não engolir apenas declarações contábeis”.

Walter Maierovitch argumenta que a atitude de Roberto Gurgel é um reflexo direto da aberração jurídica que existe no País em relação a escolha do procurador-geral da União e sua relação com o foro privilegiado – no caso, é o que obriga Palocci a ser investigado pelo Procurador-Geral.  “Quem está investigando o caso do possível estupro de Domenique Strauss-Khan é um procurador de Nova York eleito com 91% dos votos de populares. Aqui no Brasil, é o presidente que escolhe o procurador. Enquanto isso, Roberto Gurgel, nomeado por Lula e que pode ser reconduzido pela presidente Dilma por mais dois anos à frente do Ministério Público da União, tem essa precipitada conclusão”.

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